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dezembro 31, 2006

753 - COMO TRISTE É O NATAL PARA ALGUNS

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COMO TRISTE É O NATAL PARA ALGUNS

Triste é o natal, quando nesta quadra
o faz de conta atinge seu esplendor
De repente,
e mais rápido que um comenta
muitos se tornam simpáticos
Alguns, até se imaginam Santos
Oferecendo amizade, paz, pão,
e tanta ternura, não passando
de hipócritas carpideiras
Porque no resto do ano,
vão distribuindo indiferença,
egoísmo, e mais outros ismos,
até em alguns casos,
tirando tudo a quem mais precisa
Como triste é o natal desta gente,
que mais não fazem com estas súbitas
boas vontades senão pedir perdão
a eles próprios p’la hipocrisia
que vivem no seu dia a dia
Estarei errado?
Digam que estou errado,
e eles decerto
dormirão melhor!

De: Fernando Ramos
14.12.2006

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752 - MINHA SINFONIA

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MINHA SINFONIA

Componho minha musica
Sentado num teimoso piano
Onde vou dedilhando as notas
Num prazer transcendental
Que me conforta a alma,
E traz a clarividência
Necessária para aquela nota
Intima que teima não cair
Na tecla do velho piano
Será meu fracasso de inspiração
Se não conseguir compor
Minha obra, a minha pobre obra
Que a batuta de um maestro
Lhe dará vida numa orquestra
Com a força de todos os instrumentos
Que beberão o ritmo existente
Na minha insignificante sinfonia
Que numa entoação melodiosa
Vai suavizando a alma
De quem a sente

de: Fernando Ramos
13.12.2006


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751 - A AVE

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A AVE

Gorjeia a ave,
no entardecer
que espera a lua
Seguindo um caminho
sem controle
Aguardando p’la noite
fria, e nua
Que em suas penas
será seu lençol
E na sua melancolia
sem norte
Esta ave solitária
procura um refugio,
no silencio da sua sorte
Donde, num poleiro
de estabilidade oportuna,
adormece com a orvalhada,
que não se compadece
da sua solidão nocturna

De: Fernando Ramos
12.12.2006

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dezembro 30, 2006

750 - TRADICIONAL NATAL

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TRADICIONAL NATAL

Jesus nasceu, p’ra nos amar
Do santo ventre de Maria
Bem longe, se ouviu o sino tocar
Anunciando a boa nova, em alegria

E o céu, p’los Anjos enviou recadinhos
Pró mundo, nesse Dezembro celestial
Enfeitam-se bonitos pinheirinhos
Em honra de Jesus, p’lo seu natal

Vieram pastores, e outras artes belas
Por longos caminhos, de noite e de dia
O mundo se uniu, e se acenderam velas
Em nome da paz, na mais pura magia

Hoje nas igrejas, observam-nos os Santos
Pejados de tanto amor celestial
Deus os enviou, com seus belos cantos
P’ra abençoarem o tradicional natal

De: Fernando Ramos
10.12.2006

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749 - FEITIÇO

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FEITIÇO

Quanta saudade vai em meu peito
Que nem consigo bem imaginar
Traz meu pensamento desfeito
Da tua imagem, que não se vai apagar

Essa saudade de ti, meu amor
Meus lábios, a andam murmurar
O coração, não cala esta dor
Dor que só a morte irá levar

Esta é a saudade que entristece
Dela, nem a alma vai escapar
Minha vida agora se esmorece
Pela falta desse teu doce amar

Será paixão, ou será feitiço
Que ma faz andar neste quebranto
O que será não sei, mas é por isso
Que te amo tanto, que não sei quanto

de: Fernando Ramos
9.12.2006

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748 - TEU NOME

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TEU NOME

Direi teu nome sem devassa
Nunca será palavras vãs
Ele, no peito se enlaça
E é meu sol p’las manhãs

Esse é o nome, que eu adoro
Manter-se-á dentro de mim calado
Manuela, por dize-lo quase choro
Lágrimas de prazer reencontrado

Teu nome é a esperança levada à cena
Dize-lo é um acto que não cansa
Mas estar contigo, valerá mais a pena
Porque assim meu coração tanto amansa

És a boa razão do meu sonhar
E serás minha chama vida fora
Perdendo-te, quando meu final chegar
Porque esse momento aparecerá na hora

De: Fernando Ramos
08.12.2006

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dezembro 29, 2006

747 - RAZÕES SECRETAS

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RAZÕES SECRETAS

Mulheres com suas razões secretas
Aguardam à janela em orações completas
Que os Santos da procissão por ali passem
E lhes abençoem, como se de puras se tratassem

São exaltadas mulheres pecadoras
Da malícia, que as deixam sonhadoras
Nas noites de todos os enlaços
Ansiando felicidades em seus pedaços

Estas mulheres de suas ilusões escondidas
Entre a crença e a tentação, estão divididas
Não sabendo onde pára a razão
Aguardando ás janelas o piadoso perdão

Que o divino limpidamente lhes poderá conceder
P’ra que num céu de amor, não possam padecer

Acendendo-lhes em seus corações, a Santa chama
Erguendo-lhes as almas, onde tudo se derrama
Bem longe, de onde suas vidas era um incêndio
Percebendo ali, que pecar era seu dispêndio

De: Fernando Ramos
07.12.2006

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746 - O BAILE DA VILA

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746 - O BAILE DA VILA


Na vila da cidade, a festa vai ocorrer
Abrilhanta-se o baile da tarde de sábado
E pares se juntam, a conviver
P’ra um pedaço muito bem passado

É uma alegria contagiante
E outro baile assim não há
Por ali, a festa é estonteante
Dançando-se a salsa, a rumba e o chá, chá, chá

Os bailarinos, num frenesim sem parar
Vão prestando sua alegria à vila
E é vê-los dançar, dançar, dançar

Dança o policia, e o carteiro
A dona de casa, e a sopeira
Dança a peixeira, mais o funileiro
O menino do coro, e a lavadeira

E num rodopiar harmonioso de palco
Um par de idosos mais afoito
Mostra num tango, sua perícia de estalo

Ali, os dançantes bem se agitam
Naquela tarde de enorme esplendor
Crianças brincam, e outras gritam
P’la entrada no coreto, do artista cantor

Meninas casadoiras choram de alegria
E o imponente galã, para elas sorri
Há quem suspire, por uma fantasia
Sonhando que o cantor é só para si

Toca a orquestra bem afinada
E o pátio inquietou-se num instante
Fica na cadeira, uma senhora encantada
P’la voz doce, daquele cantante

É a loucura, tudo salta e dança
Numa alegria de deslumbrar
A tarde já vai longa, e não cansa
Todos querem, é na vila dançar

É uma alegria contagiante
E outro baile assim não há
Por ali, a festa é estonteante
Dançando-se a salsa, a rumba e o chá, chá, chá

De: Fernando Ramos
06.12.206

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745 - SAUDADES DE AMORES

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SAUDADE DE AMORES

Teu rosto, é sonho meu já esquecido
Teus murmúrios, ainda guardo nos ouvidos
É um som que me deixa já vencido
E na mente, resta apenas teus gemidos

Que os recordo tantas vezes em prantos
Na minha triste solidão atroz
São prazeres, amores e encantos
Estes momentos passados, quando sós

Desenhei teu nome em meu coração
Que é um poema nos troncos do arvoredo
Agora são pedaços de desilusão
Que só de lembrar, sinto medo

E nas planícies de verde frescura
Procuro a linda flor vermelha açucena
Que a beijarei com toda ternura
Como a ti beijava, na manhã serena

Hoje, vem o choro destas lembranças
Quando no campo olho as lindas flores
Que com elas enfeitava tuas tranças
Agora resta a saudade, desses amores

De: Fernando Ramos
5.12.2006


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dezembro 28, 2006

744 - RIO DE AMARGURAS

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RIO DE AMARGURAS

Sou um homem triste
Que hoje à beira do desconforto
Vê o rio de minha existência
Paulatinamente correr
Nele, vão todas as boas ilusões
Que a cada instante sinto latejar
E sempre me fizeram sonhar

É um rio, de bonitas
E boas recordações
Que em minha memória
Andarão sempre presentes
E viverão alegremente bailando
Sobre a sua vontade de existirem

Haja o que houver em todo
Este percurso, as boas
Lembranças proibirão
O esvaziar do pensamento
Elas, permanecerão gravadas
Em meu coração
Como bocados de bons desejos
Que em algumas situações
Mal foram cumpridos
Deixando a mágoa ir em busca
De um final feliz, o meu final
Que terminará na foz
Deste silencioso rio, de amarguras

de: Fernando Ramos
4.12.2006

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743 - JORNALISTA E O POETA

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JORNALISTA E O POETA

Surgem palavras p’ra poemas
Ou noticias, na imaginação fértil
De quem escreve
Elas, vêem cheias de acontecimentos
do nosso dia, a dia
Que vai dando noticias do momento
Saídas p’la ponta do lápis de carvão
Registando-se cada facto nas silabas
Que vão garreando com ideias
Para o pensamento deixar cair
Numa folha branca

Que faltará afinal?
Um elo, um rasto de informação
Para o criativo melhorar o que escreve?
Pobre do escritor, que p’la frente
Ou por detrás de uma máscara,
Por vezes não lhe ocorre
As palavras certas

Luta, estrebucha, e para quê?
Se nas palavras está toda a verdade
Está lá tudo do pensamento humano
Sem uma única falha
Mesmo a inspiração fatigada
Essa inspiração que por vezes
Vem com o cansaço
Do jornalista que escreve

Mas elas, as palavras
Vão surgindo uma a uma
Pró escrivão, como uma poesia
De choros, onde lágrimas
São letras que anseiam p’lo final
do poema, ou da noticia
Que sairá num livro,
Ou num jornal do dia

Ó divino, como és generoso
E dás a razão, e certeza do saber
Ao jornalista, e ao inspirador
Numa mistura de ideias
Deixadas na folha de papel
Com a pequena diferença de inspiração
Entre o jornalista, e o poeta

De: Fernando Ramos
03.12.2006

Publicado por ramos às 02:26 PM | Comentários (1)

742 - DÉSPOTAS

hitler-1.jpg

DÉSPOTAS

Imaginam-se senhores esclarecidos
Julgam-se reis, e de todo poder
São apenas seres agressivos
Que a tantos, tantos dão mau viver

Estes senhores, que alguns são de guerra
Pensam serem iluminados p’lo divino
Enganam-se... Porque cá na terra
São simples déspotas pobres de tino

E na mais pura soberba arrogância
Anseiam por regimes de má memória
Elevam sua total ganância
Na esperança da eterna gloria

E tais déspotas incorrigíveis
Senhoreiam-se do que não lhes pertence
São ambições sempre apetecíveis
Que só os incautos, convencem

Dizem-se espíritos cheios de clareza
Mas afinal são de pensamentos fechados
Sua ignorância, pró mundo são a tristeza
Das ideologias feudais, de séculos passados

De: Fernando Ramos
1.12.2006

Publicado por ramos às 10:23 AM | Comentários (1)

dezembro 27, 2006

741 - CAOS

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CAOS

Difícil este mau tempo que passa
Onde o destino, em alguns traça
A miséria, que é o extermínio que os enlaça
Sejam eles Brancos, ou outra cor que grassa
Neste planeta fértil de pérfidos contrastes
Onde apenas importa, a sórdida ambição
De senhores, que não passam de trastes
É gente sem dó, nem coração

Em volta de mim olho, e o que vejo!
Caos, violência, decadência sem razão
Tenho apenas, um puro e simples desejo
De não viver mais, nesta triste confusão
Já a mitologia, a história ou a lenda
Nos relata este mesmo percurso passado
Mas agora, não se sara a fenda
Dum pobre mundo, mal venerado

Onde a posse do ouro, em alguns se torna sinistro
Para quem sofre, e acalenta a esperança
Suplicando que o mundo gire em sistema misto
A fim de se receber, a felicidade como herança

De: Fernando Ramos
30.11.2006

Publicado por ramos às 07:24 PM | Comentários (0)

740 - MINHA MÃE, MINHA TERRA

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MINHA MÃE, MINHA TERRA

Vou indo para a minha terra
Por caminhos floridos, de bom chão
À sua beira, vou colhendo à mão
Lindas flores, que perfumam a serra

Foi com amor que as plantei
E que a natureza regou
P’ra minha mãe as levarei
Esta oferta que Deus criou

São p’ra ela, que está gravida
Dum irmãozinho que vai nascer
E dum amor de tanto querer
Concedeu-lhe Deus, esta dávida

Quando chegar à minha aldeia
Bonita festa irei fazer
Que se prolongará até à ceia
Com minha mãe, a me enternecer

A ela sempre amarei
Seu coração bem no fundo
E, à minha terra, sempre voltarei
Enquanto o mundo, for mundo

De: Fernando Ramos
29.11.2006

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739 - ESPERO O AMANHÃ

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ESPERO O AMANHÃ

Já nada me sobra deste tempo
Outra vida, melhor teria sido
Agora vou no meu passo lento
Calcando o passado já vencido

Apenas restam lamentações
Do meu mundo outrora sumido
Foram imensas as tentações
Aproveita-las, foi imerecido

Nova aurora p’ra mim aconteceu
Na adiantada idade que se some
Senti-la, meu corpo estremeceu
Agarrado ao futuro que consome

No meu difuso quebranto
A mente, ainda se encontra sã
E num emaranhado espanto
Serenamente espero, p’lo amanhã

De: Fernando Ramos
28.11.2006

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dezembro 26, 2006

738 - BRANCAS MORTALHAS

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BRANCAS MORTALHAS

Surgem mortalhas p’ra corpos
Elas são de algodão, e grosso corte
Vestem tantos sem sorte
Que deambulavam no pecado forte
Terminando assim, inertes e mortos

Irão p’ro céu? Não se sabe!
O inferno talvez seja seu destino
Eram pecadores de pouco tino
Num lugar triste e pouco fino
Onde, o bom futuro lá não cabe

Agora são almas sem regresso?
Cobertas de mortalhas p’ra conforto
Cobrindo o corpo frio e morto
A caminho dum além, nascido torto
Que em vida não mereceram sucesso

Mas afinal, esperam-lhes o céu!
Num paraíso de paz celestial
São almas felizes, e é consensual
Que ir pró inferno, era irreal
Subiram ás nuvens, vestidos de véu

E as mortalhas foram-lhes retiradas
Daqueles corpos mal enfeitados
Deus perdoou tédios pecados
Abrindo sua porta, aos pobres coitados
Enlaçando-lhes, as felicidades desejadas

P’ra traz, ficaram tristes destinos
Foram embora as brancas mortalhas
Chegou paz, a espíritos sem malhas
Vividos em profundos meios de palhas
Que ansiavam por Anjos bem vindos

De: Fernando Ramos
28.11.2006

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737 - ESCREVO

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ESCREVO
(soneto)

P’ra ti, escrevo de mil cuidados
São poemas de minha alvura
É pedaços de vida inspirados
Em palavras de breve cultura

Pensamentos deitados num livro
Que só p’ra ti, apenas para ti, editarei
Em palavras endoidecidas sem castigo
Que no meu coração, são lei

Escrevo, e para ti rescrevo sem fim
Poesia de amor e emoção
São breves, e vão voando por aí

Buscando no vento, seu poiso manso
Que se não encontrar, cairão no chão
Mas escreverei na mesma, e não me canso

De: Fernando Ramos
26.11.2006

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736 - VALE COLORIDO

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VALE COLORIDO

No vale florido, vejo a montanha ao longe
Sinto o cheiro das flores, e o voo das aves
Ouço o rio bem perto, correndo p’ra foz
O ar é doce, e desliza vagarosamente
Enchendo-me de caricias perfumadas
Olho o céu, e vejo vagas
De nuvens que correm
P’ra noite que se aproxima no entardecer
E naquele vale de mil prazeres
Penso nos outros
Que estão mais sós do que eu
No seu desencontro com a vida
Vivendo num enorme tédio fatal

E eu, aqui tão bem acompanhado
P’la natureza, aguardando apenas
A passagem deste meu tempo
A porta de meu coração se escâncara
Para receber o sublime prazer
De tudo que me rodeia
Parece um conto de fadas
Este meu presente, mas...

Apenas não passa de um sonho!
Um sonho que terminou
No preciso momento
Que a realidade presente me alerta
Para o mundo em que se vive
Que me retira esta guloseima de bom viver
Pobre mundo...
Que estúpida é a tua incerteza!
O desespero bate forte em muitas vidas
Que não conhecem este meu sonho
do vale colorido,
Nem verseja estas minhas imagens

De: Fernando Ramos
24.11.2006

Publicado por ramos às 10:04 AM | Comentários (1)