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agosto 28, 2006
662 - MEUS POEMAS
MEUS POEMAS
Vós que leis meus poemas
De sentimento e emoção
Não trazem quaisquer algemas
São só, minha imaginação
São de vidas sem igual
Esta é a pura verdade
Eles pousam sem mal
Na vossa virtuosidade
Apenas escrevo com alma
Palavras repletas de ternura
Poderá ser, poesia calma
P’ra este mundo de loucura
Vós que leis meus poemas
Agradeço essa gentileza
Tento descrever algumas cenas
Bem imaginadas de pureza
de: Fernando Ramos
28.8.2006
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agosto 27, 2006
661 - VIDA SEM ESPINHOS
VIDA SEM ESPINHOS
Agradeço eternamente a Deus
P'lo bom que me acontece
São ofertas de bens seus
Que na minha vida floresce
Mas quando isso não sucede
Choro de tristeza sem fim
Porquê, porquê, isto acontece?
Pergunta feita por mim
Respostas surgem no dia, a dia
O bom é difícil ser oferecido
É o sacrifício que o cria
O mau é fácil, e não apetecido
Nossa passagem por cá, tem espinhos
Nem tudo é arco-íris de mil cores
Só temos de ir por bons caminhos
P'ra receberemos a vida, sem dores
De: Fernando Ramos
27.8.2006
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660 - SE EU DOMINASSE O MUNDO
SE EU DOMINASSE O MUNDO
Se eu dominasse o mundo
Acabaria com a ‘coisa’ má
Dava um sorriso profundo
Ao bem que a natureza dá
A corações de bem fecundo
Ganharia o dom da profecia
Daria o sustento à vida
O mal deste mundo varreria
A justiça assim venceria
À guerra que seria vencida
O nosso mundo se amaria
O choro da mãe terminaria
Decretava Santa alegria
Amarem-se, eu obrigaria
Em jardins de muita magia
Se eu dominasse o mundo
Haveria sempre boa comida
A miséria iria ao fundo
A paz seria bem sucedida
Eu nem perderia um segundo
De : Fernando Ramos
26.8.2006
9s
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agosto 26, 2006
659 - NOVO TESOURO
NOVO TESOURO
Escrevo partilhando emoção
que hoje sinto
Entrou p’la minha porta de casa,
alguém que não via
faz algumas primaveras
Foi como se tivesse recebido um doce,
o melhor doce do mundo,
a mais saborosa iguaria que alguma vez
alguém ofereceu num dia sem esperança
De maneira algo majestosa vos digo,
foi um momento mágico,
único p’ra meu pobre coração
que tem andado a beber a dor aos tragos
Alguém regressou
p’ra minha casa, a sua casa
que tanto tempo esperou por ela
onde seu perfume se mantém empregnado
Estou muito feliz,
Ela perdeu-se nas teias da má vida,
p’las casas de chuto da maldita droga
de sonhos fáceis
Mas Deus lhe mostrou a luz,
E a colocou no seu bom caminho
Sou um homem feliz, tão feliz
como se descobri-se novo tesouro
De: fernando Ramos
26.8.2007
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658 - ENCONTREI MINHA LUZ
ENCONTREI MINHA LUZ
Frequentei maus trilhos da vida
Vagueava sem rumo, sem lutar
Vivi no inferno, que dava ferida
Sem ter ninguém para amar
Tantos, tantos, eram meus dilemas
Com poucas, ou com muitas razões
Não sei quantos mil problemas
Repletos de negrejantes ilusões
Depois de enormes caminhadas
Que cansei de andar a pé
Registando todas as pegadas
Sem nunca, nunca encontrar a fé
O enorme mundo quis agarrar
Era o meu sonho profundo
Nele andei sempre a pecar
Choro este acto, vil e imundo
Finalmente encontrei minha luz
Nas asas do Anjo amigo
Agradeço o fim da triste cruz
Já não sou, o vagabundo perdido
De: Fernando Ramos
25.8.2006
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agosto 25, 2006
657 - MEU POEMA
MEU POEMA
No despertar da minha inspiração,
E de olhos bem cansados
P’la noite dentro surge um poema
Que vai tecendo nas teias,
Dos meus pareceres de vida
Vou escrevendo em palavras
O sentimento que vai soluçando
Em letras de tinta preta
Onde tento exprimir o amor, a solidão,
E a indiferença que me perturba
Que vou desenhando em poesia
Num papel branco,
Tão branco como a pomba da paz,
Que a minha mente tanto almeja
Meus dedos, impacientemente
Vão aguardando que minha inspiração
Surja rápida como cometa, p’ra escrever
Em letras de ouro, palavras
Simbolizadas e não desfocadas
Da realidade que me cerca
Eles, que me façam escreverem
Sem parar até ao final
Da minha pobre poesia,
Mas minha poesia
Agora nesta hora da madrugada
Deixo a inspiração descansar,
Até ao próximo momento
Que lhe apeteça!
de: fernando Ramos
24.8.2006
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agosto 24, 2006
656 - BELA É A NATUREZA
BELA É A NATUREZA
Bela é a natureza
Ela nos oferece o sol,
O luar, o esplendor
A vida a seu lado é uma festa
Deixa-nos amar, e viver dentro dela
Sem melancolia, sem poréns,
Sem ódio, sem discriminação,
Só que...
Depois estragamos tudo
Eu quero a natureza
P’ra mim, e para ti
Vamos estima-la, ama-la, bebe-la
Ela nos possui em paixão
Na sua brandura de querer
Que bela é a natureza!
De Fernando Ramos
23.8.2006
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agosto 22, 2006
655 - QUANTO EU DARIA
QUANTO EU DARIA
Quanto eu daria
P’ra voltar a ter
A mulher que me tem deixado
A vida num desassossego
Quanto eu daria para a ver,
Nem que fosse pela ultima vez
Quanto eu daria p’ra sentir
Novamente seu perfume,
Seus lábios, ou beijar seus seios,
Outra vez
Meu Deus, estou a ser
Severamente castigado
P’la minha insensatez
Deixei-a partir por causa
Da arrogância que me consome
E não ter percebido que ela
É só, a mulher que amo
A mulher que vive gravada
Na minha alma
Quanto eu daria, meu Deus!
de::Fernando Ramos
22.8.2006
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654 - MUNDO SEM JUIZO
MUNDO SEM JUIZO
Da minha janela,
Avisto as árvores, que se agitam
Cercadas pelo vento
Ouço seu forte soprar,
Como falando comigo
Com elas vem as mágoas do mundo
E eu, na minha triste solidão
Apercebo-me de seus dizeres
Que mais uma vez
Não trazem novidades,
E me fazem ver e sentir os lamentos
Da vida humana
Pressinto o sofrimento
Do outro lado do mundo,
Igualzinho aos deste lado de cá
Vejo crianças angustiadas da fome
E mães, que no choro me dizem
Tanto do seu sofrimento
Isto, dá enorme pancada no coração
Como é possível meu Deus
Andares tão frio, e distraído!
Vejo sem abrigos, sem sustento
Iguais aos da minha cidade,
Deste lado de cá do mundo
Vejo mortos que se espalham
Como numa grotesca cena de Dante
Aqui, a guerra mostra as garras
Do mal com todo o seu cinismo
O vento vai-me falando, falando, falando
E mostrando a miséria da vida humana
Eu, em silencio o escuto sem vacilar,
E vou deitando lágrimas de raiva
Por este pobre mundo desfeito
Que dos dois lados não tem juízo
de: Fernando Ramos
21.7.2006
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agosto 21, 2006
653 - BELAS PALAVRAS
BELAS PALAVRAS
Tantas palavras se dizem
Que algumas, merecem
Ser sempre lembradas
Como aquelas que descrevem
Estados de espírito,
Que são as mais bonitas
Que se diz, ou se gravam
Na memória, como:
“Hoje é o dia mais belo
da minha vida”
Ou como outras:
“Estou apaixonado pela vida
E pelos outros”
E até como:
"P’ra ti chovem beijos de prata
Meu amor"
São palavras que nos enchem
A alma, como recadinhos
Do destino que as queremos
Bem vincar
Elas, sabem bem dizer, e ouvir
Purificam-nos o coração
de: fernando Ramos
21.7.2006
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agosto 20, 2006
652 - A VOZ
A VOZ
(soneto)
Sua voz rouca, se silenciou
A bela arte empobreceu
Foi à vida, que a ofertou
P’ra ela, simplesmente morreu
O Seu xaile tanto deslizou
Por ombros dóceis e cansados
Perdeu-se no fim dos escombros
Sua voz de amor, bem sonhados
Tantos tombos ela sofreu
Num ciúme triste falado
E foi por amor, que muito deu
Era uma paixão sofrida
Vivida em peito calado
Deu tudo, até preciosa vida
De: Fernando Ramos
21.7.2006
9s
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651 - DESEJO
DESEJO
Deixa-me ouvir palavras
Nunca ditas
Guardadas em beijos
Que nunca demos
Diz-me acasos
Nunca falados
Ou teus poemas
Jamais publicados
Deixa ouvir tua voz
Num fado vadio
P’ra um amor
De ocasião
Deixa a paixão florescer
No meu jardim de desejos
Conta-me amor
Teus sonhos
Em murmúrios
Entre beijos
Deixa-me advinhar
Em teus lábios
Que em meus
Não se perdem
Deixa-me amar-te
Só mais uma vez
Meu amor
Dá-me este desejo
De: fernando Ramos
21.7.2006
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650 - MORRER DE PAIXÃO
MORRER DE PAIXÃO
Ando doido de amor
E quase perco a razão
Choro agora, minha dor
Vão lágrimas p’lo coração
Ela, flor de minha vida
Foi embora com o vento
Ia numa folha caída
No Outono de sofrimento
A mágoa me rodeia
Numa profunda desilusão
Por ela, fui preso na cadeia
de ciúme, e aflição
Que vai ser agora de mim
Deste pobre coitado
Meu amor, caminha por aí
E eu, triste e encarcerado
Tão intimo e profundo
Era nosso puro amor
Abandonou meu mundo
Comigo agora resta a dor
Sei que vou morrer de paixão
Mas que tristeza sem igual
Longa é minha agitação
Não suporto mais, meu final
De: Fernando Ramos
20.7.2006
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649 - TEU VIOLINO
TEU VIOLINO
Quero ser teu músico
De violinos!
Apenas teu músico
Tocar para ti,
Grandiosas obras de Mozartt,
Vivaldi, Wagner
Apenas quero ser
Teu músico de violinos!
Este é o meu grito do momento
Se puder ser,
Quero ser como um violino!
Tocar só para quem habita
Meu espaço de prazer
Só quero tocar p’ra ti, meu amor
E tu, ao som do meu violino
Danças para mim
E eu, dentro de teu coração
De pulsação, em pulsação
Danço contigo
Como se fossemos um só
Sentindo nós, o som divino
Do maravilhoso violino
Que só toco, para ti
de: Fernando Ramos
19.7.2006
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agosto 19, 2006
648 - FLAMINGO ROSA
Flamingo rosa, minha alegria
Regressas sempre p’la tardinha
Trazes beleza e simpatia
À natureza amiguinha
Minha ave de lindas cores
Que bonito é esse porte
Tua pena macia, como flores
Tornam meu coração bem forte
Ó flamingo, flamingo rosa
Doce afago de minha alma
fazes minha vida amorosa
Ofereces-me um fiel amor
Da tua plumagem de cor calma
A meu coração cheio de ardor
De: fernando Ramos
18.7.2006
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647 - SONHOS DE NAVEGAR
SONHOS DE NAVEGAR
Vai por mil ondas adentro
Um veleiro que avisto
Suas velas vão ao vento
Admirá-las, não resisto
Lembram-me outras eras
De oceanos prometidos
Para homens de quimeras
Que p’lo mar eram retidos
Alguns chegavam ao porto
Com ouro, café e cetins
Um, ou outro, seria morto
Por roubar vestes organdins
O barco do horizonte
Já não é a Caravela
É sonho levado, onde
Homens anseiam por ela
Eu, sou marinheiro dela
E vou para o alto mar
Ao vento solto a vela
Para nas ondas navegar
De: Fernando Ramos
17.7.2006
8s
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646 - PALAVRAS ESCONDIDAS DA MUSA
PALAVRAS ESCONDIDAS DA MUSA
(soneto)
Não me peças por favor, ó musa
Palavras, ditas em meus lábios
Eles te dirão, como recusa
Aquelas escritas para sábios
Nem peças poemas p’ra baladas
Ou frases curtas, vindas da alma
Dão-te fadigas de dor choradas
Em madrugadas, de noite calma
Oh! Musa, beijas com tanto ardor
E palavras aí são esquecidas
Em meus lábios, pedindo amor
E as palavras já não são ditas
Por nos beijos serem escondidas
E presas ao coração, por fitas
Fernando Ramos
16.7.2006
s10
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agosto 18, 2006
645 - BRINCADEIRAS NA NOITE SERENA
BRINCADEIRAS NA NOITE SERENA
Minha casa era bem pequena
Ali habitavam tantos sonhos
Lembro alguns, na noite serena
Quando sorrisos chegam tristonhos
Nas lindas noites, quentes de verão
Trauteava-se as canções da moda
Elas nos enchiam o coração
Nas nossas brincadeiras de roda
Nos chuvosos dias, à lareira
Como era tão bom ali estar
A conversa era de maneira
Gargalhadas, perdiam-se no ar
Minha mente guarda esses serões
De anos, que passaram sem corte
Ficando só boas recordações
Agradeço esta minha sorte
Que guardo muito bem no coração
Mas a saudade... Bate forte
Restando agora, muita emoção
Fazendo-me perder, o bom norte
Fernando Ramos
15-7-2006
10s
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644 - CANSADO E PESADO
CANSADO E PESADO
Um corpo velho e pesado,
sentado num banco de jardim
tem seus braços caídos
sobre a madeira velha e podre,
onde a vai acariciando
Ele aprecia na fresca tarde,
a cidade e o movimento que,
como uma teia a vai rodeando
Este velho saboreia o tempo,
talvez o pouco tempo que lhe resta
Seu rosto enrugado p’los dias, e anos
já consumido de sua vida,
mostra traços de sofrimento,
bem vincados em sua pele
O velho, olha o horizonte
onde uma arvore teimosamente
faz sombra no seu caminho
No seu profundo olhar
nota-se a solidão,
solidão sua fiel companheira
E aquele corpo pesado,
e sem qualquer abrigo,
recebe os pingos de chuva de um inverno,
tão agreste como sua existência
Em seus lábios um silêncio,
um profundo silêncio de pedra
Tão brando como sua presença
naquele banco de jardim
Onde o desejo amargo da vida,
se faz notar no seu olhar profundo,
bem profundo,
que entristece mais
seu corpo cansado e pesado
Fernando Ramos
14.7.2006
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643 - UM TRISTE FADO – COROA DE SONETOS
UM TRISTE FADO – COROA DE SONETOS
1
Na velha tasquinha de Lisboa
Corações choram a saudade
Um fadista rebelde de voz boa
Deixa num fado muita ansiedade
E numa tristeza dorida
Uma história simples e singela
É cantada naquela casa colorida
Por uma garganta rouca e bela
Aconteceu ali ao lado, na viela
Um crime que está a ser muito falado
Mataram o guitarrista João Cautela
E o povo lá não se conforma
Ele deixa muito coração chorado
Acham a justiça um pró-forma
2
Acham a justiça um pró-forma
Querem-na fazer com suas mãos
Não podem aguardar p’la norma
Do tribunal julgar o malandrão
Não sabem bem o que se passou
Fala-se de um marido enganado
Uma pistola bem manejou
Deixando na viela, o João baleado
No bairro, aquele crime é bizarro
A população está em sobressalto
O fadista vai fumando seu cigarro
Ouvindo na tasca, o povo comentar
Que próximo já houve um assalto
É o medo, que começa a chegar
3
É o medo, que começa a chegar
Pensa o mui nobre fadista
A tasca depressa se vai esvaziar
Terminando a noite p’ro artista
Todos regressam à sua casinha
Trocando segredinhos do acontecido
Fala-se que foi por causa da Aninha
Que Cautela, ali perto tenha morrido
Dizem, que boa moça é Aninha!
Casada com o Zé Marinheiro
Com o João, já viu uma vizinha
Não imaginando o crime cometido
Até que o defunto não era “arruaceiro”
Era bom homem, trabalhador, e amigo
4
Era bom homem, trabalhador, e amigo
Mas foi ciúme a causa daquela desgraça
Amou quem não devia, estava perdido
P’ro coração do Zé, era uma ameaça
O povo agora não fala de mais nada
Senão, da Ana, Zé, e João
É uma desgraça acontecida p’la calada
Andando a população, triste p’la traição
Todos no bairro são muito amigos
Até Marcham nos Stos. Populares
Agora, se sentem tristes e perdidos
Por causa deste crime, que é o primeiro
O povo regressa cedo aos lares
Com medo do que fez, Zé Marinheiro
5
Com medo do que fez, Zé marinheiro
Perdeu a cabeça num acto tresloucado
Arrependido está o amigo, e companheiro
Era tão bom marujo, e cometeu vil pecado
O Zé, por mares muito navegava
Deixava cá, Aninha triste e só
Ela, que nas partidas muito chorava
Cometeu a traição, sem pena nem dó
Por ele, mais lágrimas não vai deitar
Zé, vai p’ra cela suja, sem saída
Por alguns anos o vão encarcerar
Triste, este destino que aconteceu
Aninha ficará na mágoa bem sofrida
Pobre João, por amor morreu
6
Pobre João, por amor morreu
Um guitarrista de poemas talhados
Todos estão triste p’lo que aconteceu
Tocava tão bem na casa de fados
Era um homem bonito e todo gingão
Dizem mulheres, e por ele se suspirava
Zé, era traído sem dor no coração
Por Aninha, que com João se deitava
Este artista de tão grave pecado
Nas guitarras já pouco tocará
Mas não fica órfão, seu amigo fado
Irá continuar nesta cidade castiça
Onde a paz ao bairro voltará
Quando p’lo João se fizer justiça
7
Quando p’lo João se fizer justiça
Já o Zé, cumpre pena no degredo
Aninha, terá outro homem que a cobiça
Não é mulher de andar só, e com medo
Das ruas da amargura foi resgatada
P’lo seu marido Zé Marinheiro
Era, a prostituta da rua mal frequentada
Por mulheres que amavam por dinheiro
Aninha, na vida tem um mau passado
Seu homem bom, da lá, a tirou
Como gratidão, com o João atraiçoou
É um pecado que não vai ser perdoado
P’los vizinhos, que dele muito fala
Causando, dor que o povo não cala
8
Causando dor, que o povo não cala
E que poetas está a inspirar
Dará poemas que se cantarão numa sala
Em fados, que fará o coração sangrar
Guitarras chorarão baixinho
Esta poesia de sangue e dor
P’ra um fadista que cantará certinho
Triste destino traído por amor
Ela voltou p’ra tristeza traçada
Na rua procura outra oportunidade
Que decerto não lhe será ofertada
Por outro homem que a poderia amar
Aninha, sente-se só nesta cidade
E no rosto, não há lágrimas a deslizar
9
E no rosto, não há lágrimas a deslizar
Os remorsos a estão a consumir
Todos no bairro conhecem seu pecar
E de lá, querem-na ver partir
Aninha vive nas ruas da amargura
Suplica ao vento p’ra levar seu inverno
O tempo que lhe perdoe sua loucura
Senão, jamais esquecerá seu pecado eterno
Agora, nas suas acordadas madrugadas
Assaltam-lhe pensamentos do Diabo
Cobrando-lhe suas dores desbragadas
P’ra seu mundo de inferno permanente
Já escrito em poesia para um fado
Cantado p’lo fadista, pausadamente
10
Cantado p’lo fadista, pausadamente
No silêncio das noites de bom tino
Este drama triste e pungente
Apenas seguiu por mau destino
Nos três amigos, suas vidas se alterou
Um morreu, outro já está preso
E outra, sua vida p’ra trás voltou
Recebendo agora, total desprezo
Em toda população local
Que jamais esquece o sucedido
Numa atitude correcta e natural
Condenando tal acto vivido
Onde o futuro do amigo, foi perdido
Porque João, por eles era querido
11
Porque João, por eles era querido
Sendo na guitarra um virtuoso
Acompanhava fadistas, agradecido
De modo sempre afectuoso
Até que o ciúme lhe apareceu
Dando lhe um fim triste e brutal
Como uma vertigem de breu
Numa visão terrível e infernal
Agora gemem guitarras
Em outras mãos generosas
Dedilhando poesia sem amarras
Desta tristeza, de dor, e morte
Chorada por pessoas carinhosas
Com rancor desta má sorte
12
Com rancor desta má sorte
Acontecida na viela ao lado
Onde a dor ali bateu forte
Nos corações dum povo desolado
Trovas se começam a escrever
P’los poetas que as estão aprimorar
Em rimas exuberantes de saber
Acontecendo poesia, de acicatar
P’ra tantos que se vão deslumbrar
Pela escrita que traz tanto sofrer
Muitos vão sempre lembrar
Que ciúme só traz desgraça
A vidas que se podem perder
Neste mundo fértil de devassa
13
Neste mundo fértil de devassa
Onde de boca, em boca voa a miséria
De acontecimentos que ultrapassa
O bom senso, de forma vil e pouco séria
Hoje já se cantam poemas de dor
Nas mais afamadas tabernas finas
Em vozes generosas de ardor
Cantados em fados de tristes sinas
Como o poema dos três amigos
Cujo o crime os maltratou
Hoje, do futuro se encontram perdidos
A Ana, que era tratada por Aninha
À rua da má vida ela voltou
Perdendo aí sua boa estrelinha
14
Perdendo aí sua boa estrelinha
Como castigo da muita má sorte
Cumprindo esta pena p’la tardinha
Num ritual que a vai levar à morte
E o fadista rebelde, de voz rouca
Canta p’ra clientes sensibilizados
O ciúme que deixou a vida louca
A três amigos outrora respeitados
Apenas agora resta a saudade
Naquele bairro de bom viver
De gentes que ama a sua cidade
Como um poema que bem soa
Na voz do fadista de bem dizer
Na velha tasquinha de Lisboa
De: Fernando Ramos
11.7.2006
Publicado por ramos às 10:46 AM | Comentários (1)
agosto 17, 2006
642 - DESFRALDAMOS A BANDEIRA
DESFRALDAMOS A BANDEIRA
Desfraldamos a bandeira ao vento
Festejando as brilhantes vitórias
Elas dão garra, e o alento
À pátria de tantas glorias
Do grito do nosso coração
Vem a raça, e perseverança
O povo tem a dedicação
Dos heróis da nossa esperança
Somos gloriosos e valentes
Com sonhos, que felizes nos faz
Vivemos amando os ausentes
Que o mundo quiseram de paz
De: Fernando Ramos
12.7.2006
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641 - PÁGINAS BRANCAS
PÁGINAS BRANCAS
Vou folheando, páginas brancas
que vão por meus pensamentos
Não reajo com qualquer azedume a elas
Meu triunfo está em outras páginas,
aquelas que marca a história
da minha vida
Que eu gostaria que um dia,
um editor não as colocasse
num escaparate da minha cidade
Isso me dá alento para prosseguir,
contando cada peripécia,
especialmente as que me enchem
de orgulho
Aquelas que saem
da inspiração da vida,
onde cada cena gravarei no livro
São factos reais,
e não palavras inventadas
com as sílabas certas para um soneto
Lá, estará a minha paixão,
em frases escritas que simbolizam
o meu amor p’la vida, pela escrita,
e pela arte, como um acto de posse
E na certeza que só muitos
poucos as conhecerão
Fernando Ramos
11.7.2006
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640 - VELHO VELEIRO DE RECORDAÇÕES
VELHO VELEIRO DE RECORDAÇÕES
O som repercutido das ondas,
trazem lembranças de outras viagens,
percorridas em meu veleiro
Comigo, numa dessas viagens
ia Manuela,
hoje a minha formosa musa
Em pleno mar, largo e sem fim
que dá colo a seus filhos
Nós olhávamos o horizonte
aos fins de tarde
Ali nos amávamos
num desencontro
de quem vai, e de quem sai,
do manso vai vem da onda
Já passou algum tempo
dessas nossas agradáveis viagens,
tendo entretanto casado com a musa
Agora sozinho,
aqui vou no meu velho veleiro
cumprindo mais um programa
de trabalho ligado ao estudo do mar,
que me obriga a esta solidão
e vai parindo a saudade,
do amor obsessivo que é um latejar
permanente em meu peito
Essa tremenda saudade de Manuela,
me faz ansiar a chegada ao cais,
indo meu coração seguir um caminho
tão rápido quanto possível,
para a sentir em meus braços,
e em seus lábios me saciar
E quem sabe,
ela retribuir-me toda a sua
loucura de saudade,
tão intensa e carente de afagos,
como a que se espalha por este
velho veleiro de recordações
de: Fernando Ramos
10.7.2006
Publicado por ramos às 10:18 AM | Comentários (0)
agosto 16, 2006
639-VITÓRIA DA SELECÇÃO
VITORIA DA SELECÇÃO
São vitórias históricas e belas
Ao mundo oferecemos uma lição
Somos felizes, e ansiamos por elas
Viva a gloriosa selecção
Vitórias árduas, e bem difícil
Portugal acaba por as conquistar
Marcamos golos de forma subtil
E o povo sorri, a chorar
Sofremos muito por aí
Todos nós gritamos até doer
A gloria, surge por fim
Com a nossa força de vencer
A história diz que somos maiores
E regista todo nosso valor
No mundo queremos ser melhores
Ganhando com raça, e ardor
Fernando Ramos
09.7.2006
Publicado por ramos às 06:35 PM | Comentários (0)
638 - A PROFECIA E OS RICOS
A PROFECIA E OS RICOS
Se tivesse o dom da profecia
Conhecia todos os seus mistérios
Mesmo assim não sei se quereria
Falar a língua dos ricos, e sérios
Eles, que são de muito dinheiro
Pouco retribuem a seu irmão
Fazem das notas mau companheiro
Nem sobram, p’ra distribuir pão
Se tivesse o dom da profecia
Faria chover esperança e amor
Pró mundo viver em alegria
Não, na terrível incerteza e dor
Ainda que essa chuva não parasse
Prós lados dos privilegiados e bonitos
Não sei, se algum dia, o rico escutasse
A miséria dos pobres, em seus gritos
Se tivesse o dom da profecia
E visse ricos distribuir bens e sustento
Total felicidade me acontecia
Neste mundo egoísta, que lamento
Se eles se tornassem mais humanos
Seu dinheiro teria um doce tilintar
O pobre não viveria de enganos
E no seu futuro, não se iria enganar
Se tivesse o dom da profecia...
Sua magia para mim não era segredo
Daria a paz, que o mundo exigia
E a diferença, amaria sem medo
Fernando Ramos
9.7.2006
Publicado por ramos às 11:35 AM | Comentários (0)
agosto 15, 2006
637 - PRATINHO DE OURO
PRATINHO DE OURO
De quem eu tenho pena,
não é daquele pequeno príncipe
que recusa junto de sua mãe
comer o bom bifinho,
que ela com tanto amor,
carinho, e seu saber,
o preparou como sempre acontece
De quem eu tenho pena,
é daquele menino de sorriso
limpo e maroto
que diz a sua mãe,
não querer comer mais
do seu pratinho de farinha
Ele está triste,
porque ela não tem
do seu manjar p’ra comer
A mãe, sentiu essa tristeza,
do seu menino
e resolveu comer também
do seu pratinho de ouro
Ele feliz,
oferece-lhe um sorriso
dos mais bonitos,
aquele sorriso
que faz parar o mundo
de: Fernando Ramos
07.07.2006
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636 - O CORVO TABERNEIRO
O CORVO TABERNEIRO
Nesta bela cidade de colinas e poetas
Os Corvos estão na sua bandeira
São aves vindas desde as descobertas
Que os lisboetas, delas faziam brincadeira
O corvo, era estimado p’lo taberneiro
Que bem poisava nas carvoarias
É preto, preto, e bom matreiro
Vivia entre o carvão, e destilarias
Baptizaram-no de corvo Vicente
Nos tempos da Lisboa malandra e sabida
Brincavam com ele, e ficava contente
Alegrava a cidade. antiga e colorida
Era um corvo, taberneiro e simpático
E na capital deixou saudade
Partiu num tempo sorumbático
Um dia aguardamos vê-lo p’la cidade
Em seu poleiro olhava os vizinhos
No meio dos pregões da cidade
Nas tabernas bebiam uns copinhos
E cantava-se um fado de liberdade
Esta ave é o símbolo dos alfacinhas
E não é substituída por nenhuma
Volta corvo, p’rás Marchas tuas vizinhas
Porque St. António quer cá tua pluma
de:Fernando Ramos
06.7.2006
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635 - O MUNDO GIRA AO CONTRÁRIO
O MUNDO GIRA AO CONTRÁRIO
Escuto o vento, sussurrando lá fora
E cá dentro no sossego, sinto a solidão
Anseio p’lo amor que demora
Chorando magoado meu coração
Preso a um cristalino copo de vinho
Aguardo por tua chegada
O tempo passa tão devagarinho
Tornando tão grande minha noitada
Esta espera me deixa cansado
Nela vou perdendo a razão
Estou só, parecendo um coitado
Como é triste, meu fim de verão
E quando chega o anoitecer
P’ra mim o mundo gira ao contrário
Estou quase, quase a enlouquecer
Por ter o tempo, como adversário
Um dia, tu virás para mim
Correndo ao meu coração
As noites depressa terão seu fim
Indo embora a tristeza, e a solidão
E não mais vinho, eu beberei
Que embriaga a minha tristeza
Para ti, para ti meu amor, eu só viverei
Envolvido em esperança, e na certeza
de: Fernando Ramos
6.7.2006
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agosto 14, 2006
634 - SER AMIGO
SER AMIGO
Ser amigo, é estar presente
Sentirmos o abraço que falta
Ajudar-nos, a ser resistente
Quando a dor nos fere a alma
È estar lá quando é preciso
Gritar bem alto nossa defesa
Apoiarmo-nos, com seu sorriso
Não nos deixar só, na tristeza
Caminhar a nosso lado
P’las feias ruas da amargura
Ajudar-nos, do desespero chorado
E, a não perdermos compostura
Ser amigo, é ser maior e fiel
Portador de firmeza e ternura
Dar-nos colo no nosso fel
Fazer sua razão, nossa cobertura
É dar, sem nada receber
É a mão p’ra nos segurar
É o ânimo que queremos merecer
É amizade que não nos vai faltar
Fernando Ramos
05.7.2006
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633 - NOSSA BANDEIRA É PORTUGAL
NOSSA BANDEIRA É PORTUGAL
Nossa pátria, é Portugal
Temos orgulho da sua glória
Cantamos bem alto, o hino Nacional
Amamos nossa bonita história
Vamos de vitória em vitória
Com toda a força e determinação
Enriquecemos sempre a memória
Somos um país lindo, e campeão
Sofremos até à gota final
No nosso espírito de guerreiros
A bandeira é PORTUGAL
No mundo somos primeiros
É grande, o orgulho de ser Português
Num grito que vem dos corações
Somos lutadores, p’la pátria que Deus fez
Neste canto belo, de Camões
Fernando Ramos
04.07.2006
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agosto 13, 2006
632 - SARAMAGO
SARAMAGO
Saramago, o escritor
Português dos sete costados
Sábio e grande senhor
Escreve no mundo de letrados
Eles, os que gostam da leitura
E do saber deste grande escritor
Sabem que outros, poucos em fartura
O tratam mal, mas não lhe causa dor
E ele, como um bom escritor matreiro
Pouco liga a tais indecências
Dá-lhes com um bom livro certeiro
Que lhes castra as maledicências
Na sua ignorância vasta da escritura
Esta gente, tem é ciúmes
Porque ele é Nobel da literatura
E eles ricos em azedumes
Saramago, o escritor maior
Nos livros oferece seu carisma
Na sua escrita, só a pena é menor
E o povo, o ama, sem sofisma
De: Fernando Ramos
04.7.2006
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631 - PERDI MINHA POESIA
PERDI MINHA POESIA
Partiu de mim, a poesia
Levaram todas as palavras já ditas
Era pura imaginação que escrevia
Fiquei privado dela, preso em fitas
Para mim, era a palavra brilhante
Voavam loucamente até à estrela
Num licito sentimento cintilante
Vejam lá! Acabei por perde-la
Palavras que eu inventava
Que agora flutuam por ai
Perdi poemas que amava
A tristeza cresce em mim
Minha alma, chora a solidão
Parte de mim foi embora
Foi-me roubada do coração
Deus por favor, que faço agora?
Estou sem minha fantasia,
Sem meus sonhos, e minha vida
Deixou-me só, sem alegria
Vagueia por aí, anda perdida
E neste silêncio de saudade
Te rogo, ó meu bom Cristo
Ela é a minha esperança, e liberdade
Se a poesia não vem, não resisto!
Fernando Ramos
3.7.2006
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630 - MINHAS MULHERES
MINHAS MULHERES
Mulheres, são a minha perdição
Brancas, Mulatas, e de outras cores
Por todas, quase morri de tentação
E por algumas tive dissabores
Eram de sonhos, e pouco as amei
Mas seus segredos, os guardo
Deram-me tudo na vida, bem sei
Até seus colos eram meu resguardo
Mulheres, que em minha vida passaram
Em seus regaços muito sonhei
Em tantos leitos, todas me amaram
E nos lindos corpos, me aconcheguei
Depois, todas elas me deixaram
E meu coração continua sem dona
Sofreram, porque por mim se apaixonaram
Acabei por ficar só, e minha vida é tristonha
Às minhas Mulheres, de tantos sabores
Meu coração, nunca lhes entreguei
Deram-me tudo, tudo, até seus clamores
Em murmúrios, que guardei
Hoje, grande tristeza me invade
Porque delas eu tanto desfrutava
Agora, apenas resta-me a saudade
Se voltasse atrás, o coração lhes entregava
De: Fernando Ramos
02.7.2006
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agosto 12, 2006
629 - O DIVINO VOU SERVINDO
O DIVINO VOU SERVINDO
(Soneto)
A vida, me deu mais do que pedi
Nem sei bem quanto lhe estou grato
Deus foi muito generoso para mim
Por aí, a vou retribuindo do meu prato
Sou apenas um servo de Deus
Cumprindo um tortuoso caminho
Tento aliviar a frágua a irmãos meus
Assim o Divino, vou servindo
Um dia para ele partirei
E vou de consciência tranquila
Por meu destino ter sido sua lei
Espero por sua decisão, agora
E sua graça, não, irei feri-la
Apenas aguardo, p'la minha hora
Fernando Ramos
02.7.2006
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628 - REGRESSO DO MEU SOLDADINHO
REGRESSO DO MEU SOLDADINHO
A paixão me envolve
Em sonhos que me deixam feliz
Posso sorrir, e voar como o colibri
Ou dançar um tango de Gardel
Onde, num passo mais exuberante,
Sinto a quente saudade de ti, meu amor
Partiste p’ra guerra, de causa ruim
E fiquei só, apenas só
Com tua imagem, e com tuas lembranças
Que agora são estes meus loucos sonhos
Neles, vejo teu sorriso
Ele que é a centelha do meu coração
Alumiando-me o adormecer no nosso leito
Onde sinto tua presença, como se fosse real
Tua imagem, é o meu prazer
Que se prolonga p’las madrugadas
Onde meu corpo, se sente envolvido
Por pétalas de rosas vermelhas
Oferecidas por tua boca
Que em beijos, depositam
Pedaços de amor em meus lábios
Como sofro de saudade...
Que a escrevo em poemas de amor
Saídos de mim num bailado
De emoções, que são minha vida
Envolvida nesta paixão choro, e rio
Existindo leves fragrâncias
De sedução, em mim
Esperando num ardor ansioso
P’lo regresso do meu soldadinho
Fernando Ramos
1.7.2006
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agosto 11, 2006
627 - PRIMEIRO BEIJO ROUBADO
PRIMEIRO BEIJO ROUBADO
Vou só na nossa rua,
Olhando as pedras da calçada
Que tanta vez foram por nós pisadas
Eu me lembro que foi aqui
Que te roubei o primeiro beijo,
O nosso primeiro beijo!
Também me recordo, que nós
Com os olhos humedecidos de paixão,
Jurámos amor eterno
Que teu coração sempre o procurou,
Dizes tu agora no doce manso das tardes
E eu, em resposta te digo sempre o mesmo
Desde esse dia:
Que ele seja eternamente doce, e que quero
“Continuar a fazer contigo,
O que a primavera faz às cerejas”
Tantos anos já passaram
Desde esse primeiro beijo dado de fugida
E nós, ainda continuamos juntos
Ele foi o inicio da nossa paixão,
Que no jardim próximo de nossa casa,
O lembramos na suavidade do entardecer
Pedindo nós, ao Redentor
P’ra que este amor, nem termine no paraíso
Que está tão próximo
E que seja como as cerejas na primavera,
Que se não chover,
“Deus as fará crescer muito saborosas”
Fernando Ramos
29.6.2006
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626 - ESCUTAR
ESCUTAR
Se eu escutasse os Anjos
E não os homens maus
Ouviria a voz de Deus
Em meu coração
Se eu escutasse os mistérios da ciência
Repletos de dom à sabedoria
Adubaria de felicidade
O meu aprender
Se eu escutasse da natureza
O tanto que ela tem p’ra dizer
Capinaria as ervas daninhas
Que vão surgindo em meu caminho
Se eu escutasse o amor
Não sofria sem razão
Procurava a centelha da paixão
Que não me ilumina
Se eu escutasse
O murmúrio das ondas
Não teria sede de Deus
Ele, alagaria meu coração
De perfeita humildade
Se seu escutasse a alma
Ouviria seus segredo,
Que me iluminaria
O espírito de amor
Se eu escutasse a fé
Vivia com Deus no coração
Não andaria cego,
E só na vida
Mas não, nunca escutei
Sempre estive ausente
E tenho a solidão,
Espinhos, e tristeza
Como companheiras
Do meu infortúnio
De: Fernando Ramos
29.6.2006
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625 - O GRITO DO VULCÃO
O GRITO DO VULCÃO
Tão profundo, é o grito do vulcão
que explode lava até ao infinito
Dele, vem um sussurro ensurdecedor
em busca da paz, da sua paz
Por entre cinzas, percebe-se
que a magma traz dor,
da rocha de intensa quentura
E naquela fornalha solta-se o ruído,
como se ele surgisse num peito
que anseia p’lo final do sofrimento
Naquele ansiedade vulcânica
surgem cinzas que são levadas
p’lo vento ou se envolvem na ilha,
onde agora mora
a mansa ilusão do sossego
No prado que rodeia o vulcão,
vão irrompendo animais em pequenas
pastagens, ouvindo-se por ali
alguns cantos de pássaros,
porque o vulcão entretanto entrou
no seu absoluto silêncio
Adormecendo, até ao próximo
grito de desespero p’lo seu
útero prenhe de pedaços
de rochas incandescentes
Voltando aquela ilha,
avivar a esplendorosa
beleza da natureza
De: Fernando Ramos
28.6.2006
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agosto 10, 2006
624 - O MUNDO DE COLOMBO
O MUNDO DE COLOMBO
Enorme fatalidade, atroz
Empesta o mundo de Colombo
Em guerras feias, e contra nós
Sofrendo a paz, enorme tombo
Bandeiras de países tristes
Percorrem a miséria alheia
Pobre soldado, um dia partistes
P’ra guerra de causa feia
Colombo, América descobriu
E não foi p'ra esta desgraça
Do velho mundo ele partiu
Concedendo-lhe Deus essa graça
De nada serve tanto progresso
Nessa Pátria dita virtuosa
Procuram guerras, sem regresso
Que Colombo não acharia ditosa
E as Musas do mar de Colombo
Nunca sonharam com tristes actos
Súplica de esperança leva rombo
Se paz, não se transformar em factos
E Colombo, o descobridor
Por mares tortuosos navegou
Buscando na Nau, terras de amor
Pró mundo novo, que ele sonhou
De: Fernando Ramos
28.6.2006
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623 - POEMA DA NOITE AMADA
POEMA DA NOITE AMADA
Vejo gravado teu fino corpo
Numa rocha coberta de agua
Fico pálido, e um tanto tonto
Beijando-o, sentindo mágoa
Foi um artista da pedra
Quem na rocha o cinzelou
Foi perfeito, na sua regra
E ciúmes, bem me causou
No brilho do entardecer
A rocha esconde-se na onda chegada
Volto, a encontra-la no anoitecer
Com a maré baixa encantada
No clarão da estrela fugida
Surge a brisa fresca da lua
Percorre meus lábios em ferida
Por tanto beijar, essa rocha tua
Uma rosa vermelha e louca
Surge na rocha ao amanhecer
Vem de ti, junto da boca
Filha dum poema de endoidecer
Essa rosa de beleza farta
Nascida no poema da noite amada
Tanto a beijo na pedra amarga
Nos lábios, de tua boca desejada
De: fernando Ramos
27.6.2006
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622 - NÃO ME PODES NEGAR
NÃO ME PODES NEGAR
Podes recusar-me o pão
Que se esgueira p’la seara
Podes me negar a luz
Que se esconde na noite
Podes recusar-me a água
Que se perde no riacho
Podes me negar a papoila
Que não floriu na primavera
Podes recusar-me a chuva
Que neste inverno tarda aparecer
Agora o que não podes negar,
Mas não me podes recusar mesmo
É o sorriso das crianças
Porque então...
Meu mundo desabava
De: Fernando Ramos
27.6.2006
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621 - AMAR A BANDEIRA
AMAR A BANDEIRA
Pátria de poetas, e de tanto querer
Viver nela é uma alegria
Quem vem cá, voltará com prazer
Sabendo que é recebido em simpatia
Terra de bom sol, comida e mar
Apesar de pequena no seu tamanho
Os turistas, dela vão sempre gostar
E nas praias, tomar bom banho
Seu povo é acolhedor
Dá-se bem com tanta gente
Não é rico, mas distribui amor
Tanto quanto, seu coração consente
Quem nos visita, nos quer sempre bem
Ofertando-nos alegria com fervor
São de outras pátrias, bonitas também
A eles, lhes retribuímos nosso amor
Cá, se ama em qualquer Raça
Mostrando ao mundo esta diferença
Distribuímos simpatia com tanta graça
E de todos, se respeita sua crença
Em Portugal, sua beleza é natural
Sendo o orgulho de tantos no mundo
Terra de artistas, e Santos sem igual
A todos oferecem um amor profundo
É no amar da sua bandeira
Que o país recebe imensa magia
Desfraldando paz, sua companheira
Oferece ao mundo esta iguaria
Neste Pátria linda de belas tradições
Dos valentes heróis, guardamos memória
Somos pequenos de enormes corações
Ao mundo ensinamos a nossa história
De: Fernando Ramos
26.6.2006
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620 - ACOMPANHO O TEMPO
ACOMPANHO O TEMPO
Acompanho o tempo presente
Ouvindo o vento, olhando as nuvens
Sentindo a chuva em minha pele
Percebendo as horas da vida
Que vão passando, na sua cadência certa,
Sem atrasos, sem falhar minuto algum
Acompanho o tempo presente
Vendo, o ódio, desprezo, a morte
Que me rodeia, neste mundo de injustiças,
Onde a lágrima turva cai num charco
De maldade, e podridão como sonatas
De más notas, que são linhas tortas do Divino
Acompanho o tempo presente,
Perguntando para onde caminha o planeta
E como resposta vejo:
Novos, e velhos de mão dada,
Jardins florindo, animais correndo,
Searas cultivadas oferecendo o pão da vida
Crianças brincando, saltando e sorrindo
E no seu olhar trazendo a esperança
Mostrando a tudo isto, que o relógio não pára
É como, se este gesto fosse Deus
Escrevendo certo p’las tais linhas tortas
E o mundo gira, gira, gira, gira sobre
Um tempo presente que vai
No seu percurso, sem se saber muito bem
Onde tudo isto vai parar
E eu, acompanho este tempo presente
Como meu destino, onde vou criando
Dia, a dia um novo degrau em minha vida
Este é o mundo de contrastes que anima
E desespera quem nele vive
Por isso... Siga a dança
Que o mundo não pode parar
de: Fernando Ramos
25..6.2006
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agosto 09, 2006
619 - ADORMECER NA NOITE
ADORMEÇER NA NOITE
Preciso de descansar meus olhos,
da forte luz que incide sobre páginas
de um livro que vou relendo pouco a pouco
Escrito em pequenas letras que me fazem
piscar em demasia minhas cansadas pálpebras
O vento entra por minha janela
trazendo a brisa gélida da escuridão
E eu, já em dificuldade de desfolhear
as paginas do meu livro,
me deixo adormecer
gozando o eterno sossego da noite
Lá fora, vai brilhando a lua cheia
Lua, de luz pura até doer,
que vai alumiando o prazer de casais
que se vão ofuscando de beleza com todas
as cores da paixão
Onde eles, se vão possuindo no sublime gozo,
por debaixo daquela claridade, que é prelúdio
de uma bela história de amor
Eu, no sono dos justos, faço meu percurso
de descanso, ficando-me por esta solidão
no adormecer da noite, que me levará
até ao aparecer do rei sol,
que acontecerá dentro de algumas horas
Depois da noite se esgueirar entre nuvens,
acordarei pronto p’ra começar
outro dia de labuta, ficando por ali até à noite,
onde novamente, voltarei a desfolhear
mais uma vez o livro,
até ao embebedar do meu adormecer,
como uma rotina imposta por meu destino
E a lua lá estará grandiosa e faceira
no seu reinar, espreitando outros namorados
cujos corações se vão saciar,
buscando a beleza do prazer eterno
da doce paixão
de: Fernando Ramos
24.6.2006
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618 - S. JÕAO
S.JÕAO
Ó meu querido S. João
O povo anda de tanga
Ouve o grito da razão
Tira-nos a pesada canga
O povo pede-te socorro
E já anda de alho porro na mão
É tratado como mau cachorro
Por políticos de ocasião
O Zé, está a ficar farto
Por isso quer sentença
Ou se muda este mau trato
Ou dá com o porro na cabeça
Vamos lá S. João
Tudo isto mudar
Senão morremos do coração
Ou teremos de emigrar
De: Fernando Ramos
24..6.2006
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617 - TOMA CUIDADO MENINA
TOMA CUIDADO MENINA
Toma cuidado menina
Com a promessa que te vão fazer
É traiçoeira, e não genuína
Mil cuidados deves ter
Oferecem-te o céu e a lua
Jóias, carros, e perfumes
Depois abandonam-te na rua
Triste e de tantos queixumes
Toma cuidado minha amiga
Porque nem tudo o que parece, é
Poderás sofrer e andar perdida
E da vida, perderes a fé
Não sejas fácil de ceder
O ouro não te vem parar à mão
Serás tu que irás sofrer
E quem chora é teu coração
Toma cuidado minha flor
Não credites em promessas sem fim
Aguarda pacientemente pelo amor
Vais ver que aparece por aí
Tua vida é um encanto
Se não te iludires, nada vai acontecer
Pede protecção a teu Santo
Não deites tudo a perder
De: Fernando Ramos
24.6.2006
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616 - O PREGADOR
O PREGADOR
Sou um simples Pregador
Vagueando por ruas escondidas
Falo a corações com grande fervor
São vidas que se sentem perdidas
Amo a grandiosa natureza, e a paz
E as crianças que vivem na rua
Ao pecador Prego tanto, e mais, se for capaz
Até Deus o perdoar, numa paróquia sua
Sou apenas um simples Pregador
Que todos os dias p’las nove horas em ponto
Oro a Cristo, p’ra me conceder este esplendor
De servir os outros, feliz e sempre pronto
Quero ser sempre assim, e assim viver
Que o Divino me conceda tal graça
P’ra que eu, todos os dias até morrer
Pregue o bem, como o destino traça
de: fernando Ramos
23.6.2006
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agosto 08, 2006
615 - PALAVRAS RETIDAS
PALAVRAS RETIDAS
(soneto)
As palavras retidas em tua mente
Foram guardadas na tarde calma
São pensamentos belos que se sente
Como prazeres gravados na alma
São palavras simples, e de rigor
Evitando momentos dissipados
Estão construídas com tanto amor
Embebedando meus olhos molhados
Brilhando tanto, quando te olham
P’la tardinha no nosso jardim
Fazendo a minha paixão, um festim
Em teus lábios, que os meus molham
Por causa dessas palavras escritas
Que por ti, um dia foram ditas
de: Fernando Ramos
23.6.2006-06-21
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614 - O AÇÚCAR DO MUNDO
O AÇÚCAR DO MUNDO
Grito por ti meu irmão,
grito que vem bem de dentro
das profundezas do desespero
Grito que voa em direcção
dos senhores do mal,
da guerra, do ódio, do dinheiro fácil
Um grito em favor de quem
não tem mais lágrimas que foram
saboreadas, mastigadas,
como pedaço de pão,
pão que falta no regaço do infeliz,
do pobre, que sofre por sua razão
Ouve o desprezo, ouve o horror,
ouve a dor, tu nada mereces
nem sequer o cantar da cotovia,
ou o manso prazer da sombra
do monumental e velho Sobreiro
Não mereces a simples gota de chuva
Não ouves o terror,
o grito da criança, filha da desgraça,
o gemer de sua mãe,
como será possível?
Tu que te vais banqueteando
em manjares de rei,
não vês a teu lado a fome que causas,
não tens um pouco compaixão
Não tens o prazer da caridade, nada vales
És uma simples coisa,
para nós, nada serves
Não sabes o que é o açúcar do mundo
Vê como é bonito o sorriso da menina,
o olhar da mãe, o dar a mão a um irmão
Vê como é bonito ler Homero, Shakespeare,
Camões, os Amores de Flor Bela Espanca,
ouvir Mozartt, um concerto de Chopin,
ou sentir o arrepiar da pele
pela emoção de um fado de amor, e vida
Vê como é bonita a natureza,
vê como é bonito a gloria de Deus
Tu não sabes o que isto é,
só sabes o menos importante,
olhar o monte vazio de amor,
o tilintar das moedas,
o rufar dos canhões que te traz poder
Tu não prestas, és a tristeza da vida
Tu não tens futuro
De: Fernando Ramos
22.6.2006
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613 - A MULHER MAIS NOVA
A MULHER MAIS NOVA
A mulher mais nova,
pisa as pedras da rua da vida
Do bairro mais negro,
mais negro que a noite
Lá, é o seu local de ganha pão
Ela, a prostituta mais
gentil e mais formosa daquela rua,
todos os dias está por ali
Os homens, os cativa
com sua sensualidade,
p’ra seu leito triste
e melancólico,
onde viola sentimentos
sem remorsos descabidos,
no seu cruel e perfumado prazer,
impondo-lhes um destino
solitário e perigoso
Naquela rua da vida,
a prostituta pensa nos dias
da árdua luta de viver,
que a fazem voltar sempre ali
Saciando seu mórbido prazer
de pensamentos retalhados e atrozes,
consumidos p’la droga diária
que seu corpo permanentemente
e pontualmente, anseia
A mulher mais nova,
sofre com estes dramas pungentes,
de cruas verdades,
que a fazem viver naquela rua,
onde a encontrarão sempre,
até que a morte se decida
De: Fernando Ramos
22.6.2006
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612 - TUA VERDADE
TUA VERDADE
Sob a Aura, está a verdade
Que no infinito é apreciada
Ela traz, paz e Liberdade
A uma alma desesperada
Afasta, esse sofrimento aflito
Da voz rouca e cansada
Que canta por um amor bendito
P’ra tua vida desencantada
Um dia ele aparece
E darás graças ao Divino
Na vida, um amor acontece
Está escrito no trilho do destino
Essa será a verdade
E também tua razão
Olha o futuro sem vaidade
Porque não te dará, ilusão
De: Fernando Ramos
22.6.2006
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611 - A BANDEIRA NO MUNDO
A BANDEIRA NO MUNDO
No Verde - Está nossa Glória
No Amarelo – O brilho da Razão
No Vermelho - O Coração
No Verde, Amarelo, Vermelho - A PÁTRIA
Nas Janelas – A nossa Bandeira
Nas Ruas - O Espirito de Vitória
No Jogo - A total Emoção
No Relvado – Um povo, uma Nação
Na plateia - PORTUGAL
De: Fernando Ramos
21.6.2006
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agosto 07, 2006
610 - TEUS OLHOS VERDES APAIXONADOS
TEUS OLHOS VERDES APAIXONADOS
O verde de teus olhos, é lindo
Mais parecem milagres de Deus
Deles caem lágrimas de mel, num pingo
Adoçando o brilho dos olhos meus
Eles me levam por bom caminho
Percorrido em calmaria
Onde buscando um bom cantinho
P'ra admirar sua magia
Teus olhos são um paraíso,
Onde meu amor se espalha
São tão doces, que nem preciso
Sentir loucura que me atrapalha
Causam prazer sem igual,
Aos meus que andam encantados
P’la cor de um jardim celestial,
Desses teus olhos verdes apaixonados
Os quero beijar com fervor,
Nos nossos pedaços de pecado
Deus nos perdoará sem temor,
Concedendo-nos amor sagrado
de: fernando ramos
20.6.2006
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609 - MALMEQUERES PARA D.ROSA
MALMEQUERES PARA D.ROSA
Sr. Manuel, homem ilustre e bem vivido
Que já bateu nos cinquenta
Um dia na vida se viu perdido
É que com ele, nenhuma mulher aguenta
Numa bela tarde ao lusco-fusco
Encontra a Rosa numa avenida da cidade
Olhou para ela admirado, e a custo
Sorriu, e tomou alguma liberdade
“A senhora não é uma mulher qualquer”
Dª. Rosa até apanhou um susto, e reagiu mal
Não gostou, era demais para esta mulher
E ainda por cima com a sua idade actual.
Ela também já é uma boa cinquentona
Mulher feita, e bem feita, Louva a Deus
Assim pensava o Manuel, daquela dona
Para ele, era perfeita para encontros seus
Bom... Com esta vou acertar, pensa
La se pôs a convidar a bela Rosa
Para umas saidinhas, que a deixou tensa
dando ela como resposta, mas já furiosa:
“Ouça lá seu atrevido, desse ao respeito”
Esta é que o bom do Manuel não esperava
Ele ofereceu-lhe logo a preceito
Malmequeres, e dizendo que com ela casava
Dª. Rosa ia desmaiando
Mas não perdeu aquela oportunidade
Disse que estava bem, e que com ele ia casando
É que, estavam tempos difíceis para a sua idade!
De: Fernando Ramos
20.6.2006
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608 - O GRITO DOS BONS
O GRITO DOS BONS
Oh meu Deus!
Falamos contigo e não respondes!
Qual o teu mundo, qual a tua estrela?
Em que local do céu te escondes
que nem sequer te ouvimos
À mais de dois mil anos
que o mundo grita por ti
em preces de aflição
Onde estás senhor
que não ouves nossas suplicas?
O mundo gira em desespero.
ouve senhor o nosso grito
Ouve pelo menos o grito dos bons,
daqueles que de ti anseiam
a Santa piedade,
o teu perdão para os pecadores
Onde andas senhor?
O que preocupa
é o grito dos sofredores,
e o teu silencio,
para com aqueles
que vão permitindo este
descalabro do mundo,
onde a morte, a ganância,
e a miséria vão ganhando
um lugar injusto
Ouve-nos senhor,
dá a tua razão a este mundo,
e que a paz seja o sonho
constante da vida
A vida está a passar num instante,
e tu sabes que esse instante
é já amanhã,
Dá-nos tempo senhor
p'ra nos perdoares,
dá-nos a tua bondade
Ouve-nos senhor,
pedimos tua clemência
para os não merecedores
de tua graça
Dá-nos sempre, mas sempre
o teu mar de amor
De: Fernando Ramos
19.6.2006
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agosto 06, 2006
607 - FESTAS SÃO JOANINAS
FESTAS SÃO JOANINAS
Foi nas festas São Joaninas
Que encontrei um grande amor
As noites jamais foram pequeninas
Somos felizes, como o voo do Açor
Na procissão, meu coração chorou
E a Santo Cristo rezei com fervor
Meu homem, para América emigrou
Deixando-me na ilha, só e na dor
Mas com ele um dia fui ter
E levei a ilha no coração
Juntos, bem estamos a viver
Na diáspora da nossa emoção
Aos Açores sempre voltaremos
P’rás Joaninas de outros anos
Na ilha, muito felizes seremos
Bem próximo de quem tanto amamos
E nas procissões da nossa terra
Nosso espirito, que sossegue
Lá nos Açores, o mar encerra
A tristeza, se ela nos prossegue
De: Fernando Ramos
18.6.2006
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606 - PALAVRAS DE BRINCAR
PALAVRAS DE BRINCAR
Quando novo,
no inicio da pancada da vida,
meus brinquedos eram as palavras
Com elas imaginava meus carrinhos
de cordas, meus barquinhos, o peão,
e até o cavalo de madeira,
que era o meu baloiço
Com estas palavras bebia
meus sonhos de criança,
com elas era um menino rico,
muito rico mesmo, tão rico
de todos os brinquedos
que ambicionava
Hoje não tenho mais
brinquedos de palavras
Hoje, nas novas palavras,
faço meu percurso de vida
Elas me inspiram no meu dia, a dia
junto de minha família
que são tudo para mim,
Elas me fazem ver
verdades atrozes deste mundo,
que nos sangra o coração
Como bonitos eram os brinquedos
da minha meninice
Agora estas minhas palavras,
são um mistério perverso
de compromisso,
que rolam como pedras feias
nas ruas estreitas da vida
de: Fernando Ramos
18.6.2006
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605 - OUTONO MELANCÓLICO
OUTONO MELANCÓLICO
Esta manhã fria, e chuvosa de Outono
Me deixa triste e melancólica
Por mim deslizam
lembranças do nosso amor
Tenho tanto medo que não voltes
P’ra meu lado,
meu amor
Nesta melancolia de tempo
um sentimento me invade
por não estares
Restando a triste sensação
De vazio p'lo que não fizemos,
e nem dissemos
E a chuva bate na janela
como causa do inverno
que se aproxima,
tão sombrio, como tua ausência
Guardo ainda a esperança
de teu regresso,
que mora num sonho constante,
como constante é o meu
pensamento em ti
Ele me faz viver triste e melancólica
neste Outono
que vai parindo o Inverno
de: Fernando Ramos
17.6.2006
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agosto 05, 2006
604 - DEUS É AMOR
DEUS É AMOR
Há um Deus, que é o meu
Que me dá amor e felicidade
Por muitos, muitos ele sofreu
Sem dó, nem piedade
Outros tem, o Deus deles
Que dizem ser de eternidade
Só não sei se é um daqueles
Que distribui amor e caridade
É que há, quem defenda seu Deus
Fazendo a guerra, e não a paz
Matando muitos irmãos seus
O meu Deus, isso não é capaz
Abram a vosso coração à coragem
Sem medo, e deixem de sofrer
Neste mundo, estão só de passagem
Vivam em paz, a vida não é p'ra perder
Nosso Deus é de puro amor
Amem a vida que ele deu
Rezem-lhe sem algum temor
Ele vos dará liberdade e apogeu
Se o teu Deus é tão bom
Nada tens a recear
Respeitar o dos outros, é um dom
Que não te leva a pecar
Esse, é um Deus de amor
Claro que fico contente
O meu também é um Deus Senhor
Porque é teu, e de toda a gente
de: fernando ramos
16.6.2006
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603 - FLORES DO NOSSO JARDIM
FLORES DO NOSSO JARDIM
(soneto)
As flores sorriem quando passas
Naquele jardim, que é meu e teu
Elas perfumam o ar, dando graças
Sempre que dizes que teu amor, sou eu
E os jasmins brotam doces fragrâncias
Quando teus lábios beijam os meus
Nesse jardim onde brincam crianças
As flores embelezam o brilho, de olhos teus
Que sempre vêem o que eu não vejo
Quando estou a contemplar
Teu lindo corpo que tanto desejo
E as flores do nosso lindo jardim
Ficam viçosas por nos ver amar
Por debaixo da arvore na sombra sem fim
De: Fernando Ramos
15.6.2006
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602 - DAR A MÃO
DAR A MÃO
No ódio, só vem a dor
que deixa um coração destroçado
Se a outros não entrar nosso amor
não haverá um futuro esperançado
Será na honestidade, respeito, lealdade,
na atitude, capacidade e luta
Que lhes indicamos com muita humildade
como se deve ser sério, na disputa
Dizem que todos somos iguais,
mas cada um é diferente de capacidade
Vivemos em ambientes naturais
só temos de aproveitar sua qualidade
Não seremos de certo os melhores
se por vaidade, com isso nos deslumbramos
Aí, até seremos bem piores
que aqueles, a quem dizemos que amamos
Num dar a mão, estará a diferença
é sinal que connosco se poderá contar
Só se precisa alguma paciência
porque o amor, acabará por entrar
De: Fernando Ramos
14.6.2006
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agosto 04, 2006
601 - TRISTE DERROTA
Serviram a pátria numa marcante guerra
Onde sonhos de paz nela se perderam
De tantos que caíram no cimo da serra
Veio a derrota, num final que cederam
E naquele tombar de triste fim
Entonteceram espíritos por má glória
Lutaram, e o sangue jorrou ali
Não ganharam paz, nem festejaram vitória
Mas a fé, não ficou na guerra vencida
Dando bravura aos guerreiros doridos
A pátria de todos, que lhes é querida
Recebeu os bravos de braços caídos
E a tristeza, mais triste que a derrota
Entrou nos seus corações que sofrem
A pátria reagiu mal, e a alma corta
A estes filhos que por ela morrem
De: Fernando Ramos
13.6.2006.
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600 - A TRISTEZA NASCEU SEM PEDIR
A TRISTEZA NASCEU SEM PEDIR
Quando aparece tristeza na vida
Surge a lágrima da saudade
Rola no rosto, e vai perdida
Caindo num mar de infelicidade
Deixa feridas mal curadas
Que o tempo não faz desaparecer
Acabando em cicatrizes disfarçadas
Gravadas na alma até morrer
Ainda existe uma réstia de esperança
P’ra que a tristeza vá embora
Se não for, fica a lembrança
Na ferida que apareceu naquela hora
A cicatriz que nasce sem pedir
Traz mais lágrimas p’la vida fora
Convivem na saudade que está a ferir
Um coração, onde a tristeza mora
De: Fernando Ramos
12.6.2005
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599 - MARINHEIRO DE NAUS
MARINHEIRO DE NAUS
Minha pobreza, é de Santos
Não de heróis bem abastados
Ando descalço e sem enganos
Subindo a ladeira dos coitados
Outrora fui marinheiro de Naus
Naveguei por mares encrespados
Cheguei a praias em dias maus
Vi corpos doridos, e enfernizados
Eram escravos negros, de senhores
Explorados por quem os andava a enganar
Apenas queriam alforria dos libertadores
P’ra sua liberdade desfrutar
E eu rico, de mulheres sedutoras
Aqueles pobres não fui ajudar
Agora choro as horas libertadoras
Que em minha vida, não fui dar
Éramos heróis, da doce pátria que amamos
E, escravas lindas andávamos a fecundar
Filhos mestiços lá deixámos, que os choramos
Nos braços de mulheres puras, de se amar
A vil tristeza invade a alma
Aos bravos soldados daqueles mares
São recordações numa tarde calma
Que amarguram a vida, nos sonhares
Essas lembranças, que de pecado andei
Ao bom Divino peço sua razão
Agora sou pobre, e só eu sei
Porque é que a Deus imploro perdão
Sou pecador, assim vou morrer
Nesta pobreza de bens terrenos
Que não mais trouxeram bom viver
Esperando meu espirito, os Santos serenos
De: Fernando Ramos
11.6.2006
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agosto 03, 2006
598 - ADMIRÁVEL CAMÕES
ADMIRÁVEL CAMÕES
P’ros lados do sol nascente
Certo dia aconteceu poesia
O mundo recebeu de presente
Inspiração que um poeta vivia
Camões, presenteou-nos com lucidez
E como foi sublime, e magnifico
Seus poemas se declamam tanta vez
Alguns históricos, outros de amor rico
Enormes paixões ele tinha
Violante, era uma das musas amada
Nunca a levou ao altar da Capelinha
Porque, com um conde era casada
Inspirou-se, e deixou-nos os Lusíadas
Obra prima de grande esplendor
Descreve os descobrimentos como saídas
De uma Epopeia Portuguesa superior
Nem com Virgílio, nem Homero
Na Eneida, e na Odisseia
Havia tanto brilhantismo sincero
Como na sua obra que se saboreia
Oh! Admirável grande poeta
Portugal de hoje por ti chora
Trouxestes os descobrimentos da época
Ensinado nas escolas em boa hora
O país contigo engrandeceu
Tua obra no mundo é eterna
Andaste nas tormentas de Deus
Quando eras Trinca-Fortes, e não poeta
Em Ceuta, perdeste o olho direito
Contra Mouros de má memória
Foste para a China, e na gruta estreita
Escreveste os Lusíadas p'ra nossa história
Poeta, que pró Divino um dia partiste
Deixaste amores cá na terra
Tiveste um fim, trágico e triste
E a Pátria, de ti nunca renega
De: Fernando Ramos
10.6.2006
Publicado por ramos às 10:35 PM | Comentários (0)
597 - MINHA PÁTRIA
MINHA PÁTRIA
Amo a Pátria, com tanta raiva
Ela é meu orgulho, e minha dor
Até hoje não há quem saiba
Se à bandeira alguém não tem amor
É o nosso país de gloria
Como Camões bem assinalou
Seus valentes o levaram à vitória
Nos anos quinhentos que passou
O povo sofre chorando por ela
Numa emoção Nacional
A história regista a grandeza bela
Deste mundo, que é PORTUGAL
De: Fernando Ramos
9.6.2006
Publicado por ramos às 05:34 PM | Comentários (0)
596 - O VENTO DA VARINA
O VENTO DA VARINA
Sopra o vento forte da lezíria
Montado num cavalo alazão
Traz um amor por cortesia
P’ra varina guardar no coração
E o vento vem das estrelas
Gritar por sua razão
Vem vento das noites belas
Ao sentimento dar um abanão
O vento chegou ao entardecer
Soprando ao sol que vai embora
No rio, a gaivota vai desaparecer
Buscando o amor, que a peixeira chora
A ave foi à Caravela saber
Se a paixão aporta p’la noite fora
Chora, chora a minha varina
Gorjeia a gaivota ao vento sem demora
Teu amor, agora não vai chegar
Foi p’ro mar, foi embora
Ali ele é herói, foi p’ra lá navegar
A, avezinha canta p'ra amiga que chora
P'la noite dentro até o dia raiar
O seu herói virá à hora
P’ra com ela casar
De: Fernando Ramos
9.6.2006
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agosto 02, 2006
595 - CÁLICE DA VIDA
CÁLICE DA VIDA
Bebo do cálice da vida
Amarguras p’ra não lembrar
Nele, está a lágrima fugida
De meu rosto, cansado de lutar
Anos difíceis tenho levado
De miséria constante e impensada
Tempos loucos e conturbado
Trazem minha vida descontrolada
Sou um marginal na sociedade
Preso em cadeias de mau destino
Em jovem, fui privado de liberdade
Por crimes cometidos sem sentido
Hoje sou um pobre velho
Que carrega tristezas ocultas
Em novo não recebi o conselho
De respeitar regras das vidas justas
Por de trás deste mau viver
Não anseio azar, nem sorte
Apenas, o descanso quero ter
P’ra liberdade ganhar na morte
De: fernando Ramos
8.6.2006
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594 - LUZ PARA ROSAS
LUZ PARA ROSAS
(sonetos)
Entra devagar a luz do dia
P'las frestas finas das janelas
São raios de sol, que dão alegria
A lindas rosas brancas e amarelas
Precisam de tal claridade
Como de agua para viver
São sua fonte de eternidade
Sem ela, decerto irão morrer
Rosas lindas com muita luz
São prenuncio de muito amor
E elas, alguém muito seduz
Sem qualquer temor e ilusão,
Salvando da infelicidade, e da dor
A um pobre coração
de: fernando Ramos
7.6.2006
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593 - LOUCA DECISÃO
LOUCA DECISÃO
Vem p’ra casa, meu amor
Deixaste só, meu coração
Está chorando de dor,
Por tão grande desilusão
Tua ausência, é má sentença
De uma pena atribuída
P’ra mim, é uma ofensa
Não entendo tua saída
Foste embora sem perceber
Essa tua louca decisão
O que me está acontecer
É um sofrimento sem razão
Disseste que me amavas,
Eu sempre acreditei
Com juras me enganavas
E das promessas só eu sei
Volta p’ra mim meu amor
Acaba com este meu lamento
Traz a paixão viçosa, como a flor
Que me ofereceste no casamento
De: Fernando ramos
6.6.2006
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agosto 01, 2006
592 - TUA FORMA DE VIDA
TUA FORMA DE VIDA
Essa tua forma de viver
É tão estranha e descuidada
Apareces sempre ao entardecer
E vais embora de madrugada
Não sei se vives amando
Meu coração agitado
Pergunto sempre, até quando
Suportarei teu gesto desalinhado
Quando estás em meus braços
Tento esquecer esta forma de vida
Meu amor por ti está em pedaços
Com medo da tua final partida
Sinto que um dia não vais voltar
Mas também não irei a teu encontro
Meu coração, aí se irá fechar
E um futuro sem ti, eu já apronto
De: Fernando Ramos
05.6.2006
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591 - O SONHO E O ROCHEDO
O SONHO E O ROCHEDO
Meu sonho, escondo num rochedo
À beira mar onde habita
Deixei-o coberto de manhã bem cedo
Preso e atado com uma fita
É um sonho que num passado pedia
Larguei-o num rochedo que se banha
No futuro irei busca-lo, num certo dia
Com uma sereia, que de tarde o apanha
Ela, a conquistei próximo do rochedo
E logo naquele mar me apaixonei
Falei-lhe do sonho, sem medo
Agora na nossa vida é rei
Ele faz parte do nosso grande amor,
Está no alto do rochedo, acima do mar
Nele mora um desejo avassalador
Querer a sereia p’ra sempre amar
Deus me concedeu este desejo
Que agora me faz estar muito feliz
Viver sempre com a sereia, eu ensejo
Porque ela, é o sonho que sempre quis
De: Fernando Ramos
4..6.2006.
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590 - PIROGA DE DESEJOS
PIROGA DE DESEJOS
Vou na minha piroga
Num rio de amores ardentes
Percorre meu coração que joga
Em puros desejos crescentes
A fragilidade de meus desejos
Leva a piroga por ventos cruzados
Ao leme, encontrar eu almejo
Um porto seguro de pecados
Ao chegar, a piroga encosto
Junto ao amor que me está a esperar
Abraço-a, e lhe beijo o rosto
Murmurando ela, que anseia casar
Já não navego à bolina
E a piroga de desejos fui deixar
Agora, o amor me anima
Nas doces noites de luar
De: Fernando Ramos
03.6.2006
Publicado por ramos às 04:22 AM | Comentários (0)