agosto 08, 2008
895 - DONDE VEM
DONDE VEM
Donde vem esta saudade
Que tenta fugir das minhas recordações
Donde vem tantos pensamentos
Que navegam em lembranças sem autorização
Donde vem a Angustia que me aperta a alma
E já vai sendo tarde para se sumir
Donde vem minhas preocupações e indecisões
Que só trazem medo do amanhã
Donde vem a insegurança que leva os afectos
Por caminhos que meu coração não escolheu
Donde vem a intuição que meu coração lê
carregando boas horas e outras não
Donde vem bons pressentimentos
Que são a minha chama imensa de viver
Donde vem a vontade de brindar ao amor
Que tanto ensejo nestes tempos
Donde vens tu vida
Que és o meu sopro e meu grito
De: Fernando Ramos
25.7.2208
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julho 21, 2008
894 - PARECE
PARECE
O ser humano parece que perdeu a moral
As boas consciências estão de fugida
O bom senso aqui, e ali vai se corrompendo
Levado por caminhos pouco convenientes
Na cidade demasiada agitada vive a incerteza
Nada é seguro, nada está certo
A arte da escrita e da leitura está a perder
A vida parece um rascunho não aproveitado
Parece que a desordem está a ganhar ao silencio
A palavra dada, perdeu a sua oportunidade séria
A solidariedade pelo próximo desaparece
Parece que o medo se instalou
Para onde vais verdade
Para onde vais bom senso
A desonestidade não é o teu caminho final
Parece que é para lá que te empurram
E lá te querem manter quieto, sem acção
Parece que tempos difíceis se aproximam
E tantos olhares se inquietam
Num silencio vazio de palavras
Parece que angustia é um nó bem apertado
Num mar da tranquilidade
Oxalá que só pareça!
De: Fernando Ramos
10.7.2008
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julho 06, 2008
893 - ADORO TEU SORRISO
ADORO TEU SORRISO
Adoro esse teu lindo sorriso
Que me deixa desorientado
Mas sabes que é bem por isso
Que por ti estou apaixonado
E falo dele por aí a toda a hora
Neste mundo que nos rodeia
Por ele vou tonto por aí fora
Gritando o tanto que me incendeia
Ele me deixa bem arrepiado
Porque é doce e tão quente
Beijando meu coração maravilhado
E nas bonitas noites brilhantes
Penso nele olhando-o firmemente
Com as estrelas cadentes deslumbrantes
De: Fernando Ramos
5.7.2008
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julho 02, 2008
892 - VELHO BOM
VELHO BOM
Pensa o velho na sua triste vida fria
Dum longínquo passado nada faustoso
Vê cenas onde o coração já lhe dizia
Serem anos com futuro nebuloso
A indiferença que lhe mancha a alma
É seu tormento e noites apocalípticas
Ardem-lhe na velhice causando trauma
Que com ele irá deitada nas tábuas fatídicas
Pobre velho que tantos, tantos te evitam
Nas ruas da miséria onde sentes amargura
Gentes que por ti passam, e bem te fitam
Julgam levar a riqueza que não é segura
E devagarinho lá vai em pensamentos
Que se perdem na calçada que pisa
O velho caminhante destes lamentos
Vai só, e pensando numa farta Suíça
Tudo prometem, ao velho bom
Até um outro futuro mais risonho
Pintado em telas de muito bom tom
São mentiras que o deixam tristonho
De: Fernando Ramos
26.6.2008
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junho 16, 2008
891 - POVO DA SELECÇÃO
POVO DA SELECÇÃO
Somos o povo da selecção
Que carrega este lindo país
Amamo-la com emoção
E nela somos gente feliz
Eles correm, chutam e marcam
Golos de grande beleza
Nossos ídolos se desmarcam
Das derrotas com subtileza
Comovem-se por serem povo
De tanta história e gloria
Que fazem um país novo
Quando alcançam nova vitória
Vamos de bandeiras ao vento
Gritando Portugal p'lo mundo fora
Nas janelas está o contentamento
Da selecção que o povo adora
Jogadores de técnica apurada
Jogam com alma a toda a hora
E o grito da vitória ambicionada
Dá o povo que com eles chora
Lutamos de vitória em vitória
Vencemos em qualquer frente
Vibramos os feitos pela história
Porque somos duma Nação Valente
De: Fernando Ramos
15.6.2008
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junho 06, 2008
890 - MARTÍRIO NEGRO
MARTÍRIO NEGRO
Ao longe vislumbrava-se a Nau
Na negra sombra da noite
Corta ondas dum mar mau
Na crista da vaga seu açoite
No tombadilho ia o martírio negro
Eram escravos de sua negritude
Seus olhos choravam o medo
Caindo lágrimas de brutal virtude
Aguardam a sangrenta cidade
Que suas vistas já alcançam
Esperam dos senhores crueldade
E a chibata que p´la ponta dançam
E as aves canoras embalam
Cânticos de dor terrível
Para os escravos que não falam
Da sua raiva compreensível
Tambores retumbam a chagada
Das naus que vinham de África
Traziam miséria e a morte esperada
Como linha de montagem de fábrica
E naquela barbárie loucura
A razão não impôs seu juízo
O mundo não sabia dessa tortura
Que hoje devia ser dor e prejuízo
Como foi possível tal calamidade
Em séculos que se pensa passados
Mas hoje há outra montruosidade
Em seres igualmente mal abençoados
Que também partem p’ra longe
Em aviões modernos super lotados
Procuram vida que não é de monge
E encontram futuros confiscados
De: Fernando Ramos
6.6.2008
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889 - UM HOMEM UMA MULHER
UM HOMEM UMA MULHER
O homem, é um sonhador e companheiro
Quando amigo, é um sério e grande amigo
Não faz amizades verdadeiras por dinheiro
E quando tu estás mal, ele está contigo
A mulher, a mulher... É a musa, um poema um sol
É a fada cristalina que enfeita o caminho de seu amor
Com pétalas de rosas viçosas guiando-o como um farol
E sofre por ele em paciência, e no silencio da dor
O homem, é aquele doido cabeça no ar bem distraído
Mas está sempre lá, quando ela precisa, está presente
E ama, ama muito, e por vezes por amor é vencido
Por uma paixão torpe e cruel que lhe mente
A Mulher não se engana e torna-se bem vivida
E quando te ama de verdade dá-te tudo, tudo
E sofre, sofre muito quando se sente traída
A loucura de sua paixão fá-la virar o mundo
O homem... Por vezes durão, outras carinhoso
Gosta de uma boa oportunidade de colher e vencer
E o seu clube é um mundo só seu, e é o mais virtuoso
Não tolera hipocrisia, mentira e se traído faz sofrer
Mas a mulher... É a graciosidade, a força a beleza
Que faz dela o ser mais fascinante do universo
Delicada e tão irreverente e também a boa surpresa
A mãe de nós, que constrói o mundo bom, e adverso
O homem, bem... o homem, é como a mulher
Gostam de uma boa conversa honesta, correcta
E sofrem os dois por uma paz de felicidade e saber
Mas uma paz que lhes traga amor, e que nada lhes afecta
Os dois juntos destroem barreiras com sua determinação
E com austera prepotência amam seu chão sagrado
Que é o seu bendito lar que lhes enche a alma e coração
E no seu gostoso leito vão às nuvem com seu bendito pecado
O homem, a mulher, este é o verdadeiro segredo de Deus
Porque os juntou... Porque os fez diferentes e tão iguais
E não passam um sem o outro, mesmo com graves erros seus
Tão bela é esta união, onde o mundo gira, e p’ra ele são leais
De: Fernando Ramos
5.6.2008
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junho 04, 2008
888 - MIL MANHÃS DE ENCANTAR
MIL MANHÃS DE ENCANTAR
Quero saber teus secretos desejos
Acordando preguiçosamente a teu lado
Fazer dos sonhos belos ensejos
No nosso leito quente e tão adoçado
Ter-te brilhante e feliz doidamente
Em meu corpo perdido de paixão
Beijando teus lábios docemente
Olhando-te p’ra dentro do coração
Quero mil manhãs de encantar
Ao fitar teu gracioso rosto
E que teus peitos me façam balançar
Quando os beijo e sinto esse encosto
Anseio ouvir-te vagarosamente prenunciar
Meu nome em tua melosa voz
E sentir-te no teu delicioso arfar
Quando a loucura toma conta de nós
De: Fernando Ramos
4.6.2008
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junho 03, 2008
887 - AFLIÇÃO
AFLIÇÃO
Por ti pouco a pouco me envolvi
E mergulhas-te em meu tonto coração
Mas alcançar teu amor não consegui
É tão grande esta estranha confusão
Agora que farei eu não sei bem
Oro a Deus para ele me guiar
Nesta dor que mal ajuizei
Nas mil indiferenças de teu amar
Que melancólica é esta desventura
E vai-me consumindo de paixão
Anseio por teus olhares de ternura
Se não morro na voraz solidão
Que comigo em alvoroço vive
Em total e pesarosa aflição
De: Fernando Ramos
2.6.2008
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maio 31, 2008
886 - PINTURA INACABÁVEL
PINTURA INACABÁVEL
Quero amar-te eternamente
Como pintor que ama sua obra
E delinear por minha arte
Acentuando em pinceladas firmes
Os contornos de teu corpo
E na tela vou pingando teu sorriso
Em cores de minha inspiração
P'ra nele poder levemente beijar
Os traços de teus lábios de mel
Que me torturam de amor
Quero amar-te, amar-te
Amar-te sempre e delicadamente
Deslumbrando-me com o teu amor
Na pintura da obra perfeita
Sombreada a leves tons do arco Íris
Encontrados na minha imaginação
E apenas vou aguardando
Com todo este ardor profundo
Que me deixes salpicar teu mundo
Na minha pintura inacabável
De: Fernando Ramos
28.5.2008
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maio 28, 2008
885 - MEU LOUCO SONHO
MEU LOUCO SONHO
Hoje sonhei que era dono do mundo
Dono das árvores, dono dos rios
Dos mares, e das montanhas
E vejam lá, até sonhei
Que era dono do Polo Norte
Polo Sul e da Amazónia
Sonhei que era dono do desemprego
Por isso ele não existia, não era real
Era dono dos excluídos, e sonhei
Que a fome era passado
Eu não a deixava voltar
E editava leis, leis, leis, leis
Sonhei que era dono das mais belas
Pinturas, Esculturas, e de toda Arte
Exposta em todos os museus do mundo
E que também era dono
Da liberdade de todos os povos
Por isso decretei, decretei, decretei
Às Nações Unidas que todas as leis
Tinham de ser minhas
Sonhei que era dono
Das mais belas cidades do planeta
Lisboa, Paris, Rio de Janeiro, Caracas
Nova Iorque, Londres, Genebra
Atenas, Buenos Aires
Barcelona, Amsterdão
Veneza, Tóquio, Bangkoke
E tantas, tantas outras e em todas elas
Mandei pintar o céu nas cores do arcos Íris
Porque todas as cidades eram minhas
Sonhei que era dono das florestas
De todos os animais, dos frutos
Dos cereais e de todo pão do universo
E tantos se alimentavam com ele
Também sonhei que era
Dono de toda a solidão do mundo
E dei ordens, ordens, ordens, ordens
Para que saíssem leis
E todos tivessem a felicidade
De ver voar o colibri, o Flamingo
A Águia Real, e ouvir o canto do Rouxinol
E até sonhei que todos viam jogar e ganhar
Os Clubes do seu coração
Com respeito, transparência e dignidade
E viam o meu Benfica.
Jogar, jogar, jogar
Com as estrelas do céu
Como se fosse uma criança
Brincando com sua bola
Apenas só sonhei...
E isto é o meu louco sonho
Tão louco que hoje me faz sorrir
E é tão pouco, tão pouco
Comparado com o que Deus
Na sua Infinita Bondade
Tem para nos oferecer
Meu irmão, minha irmã
Não sonhes esta loucura como eu
Tu e eu não somos nada
Segue apenas os desígnios de Deus
Que te dará a felicidade eterna
Sem fronteiras, sem decretos
Mas com afectos e amor no coração
De: Fernando Ramos
28.5.2008
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maio 27, 2008
884 - LINGUA PORTUGUESA
LINGUA PORTUGUESA
(soneto)
Minha língua é a Portuguesa
Eu tanto a amo e ela me delicia
Tenho dela a feliz subtileza
De fazer poesia que é minha iguaria
É a mais bela e liberta Bandeira
Desfraldada p’lo mundo fora
Quem a fala não faz fronteira
Mas amizades a toda a hora
Esta língua é o encanto do mundo
E de povos que vão e vêem
Oferecendo um abraço profundo
A outras línguas enormes, bem sei
Sua fonética é suave e bem atraente
E tão melosa p’ra um coração envolvente
De: Fernando Ramos
25.5.2008
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maio 19, 2008
883 - UM SOL PARA MIM
UM SOL PARA MIM
(soneto)
Se houvesse um sol só para mim
Eu amaria como uma estrela cadente
Andaríamos de mão dada por aí
Distribuindo calor a tanta gente
Seria o meu sublime e total orgulho
E companheiro de boa viagem
Iríamos além do bojador em Julho
Prestar a homens bons, vassalagem
Se tivesse um sol só para mim
Ai meu Deus... quem me dera
Daria tempo à esperança sem fim
Jardins seriam sempre primavera
Para o sem abrigo nosso irmão
E ofertava-lhe palavras, amor e pão
De: Fernando Ramos
20.5.2008
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maio 17, 2008
882 - FURACÕES
FURACÕES
(soneto)
Surgem devastadores furacões
Correndo cidades que se infernizam
Levam bens e almas de gerações
P’ra um infinito onde se eternizam
E a história tristemente registará
Este rosário total de destruição
Procissões o povo p’los locais fará
Orando a Deus na sua fiel devoção
P’ra que os furacões não regressem
A Terras de triste memória
Onde na miséria ainda padecem
Gentes em lágrimas e gritos
Brotando a consternação obrigatória
Das suas penosas vidas de aflitos
De: Fernando Ramos
17.5.2008
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881 - MUNDO INQUIETO
MUNDO INQUIETO
(soneto)
O mundo vive tão inquieto
Ele se agita e não pára
Morre o homem num gueto
Deitado na ferida que não sara
Pobre mundo para onde vais
Nas tuas tragédias de horror
Tantas mortes tão brutais
A natureza vinga sua dor
Destruição por todo lado
Vê-se por aí todos os dias
O presente estará envenenado
Só Deus sabe no seu infinito
Será que virá novo Messias
Nessa sabedoria acredito
De: Fernando Ramos
15.5.2008
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maio 15, 2008
880 - FADO DO POVO
FADO DO POVO
O povo canta a musica dele
Com a emoção junto à saudade
Ele sente-a, e não é aquele
Que ama a poesia sem liberdade
O fado é a sua nobre canção
Que se ouve alto e baixinho
Traz da garganta e do coração
Letras dedilhadas devagarinho
Elas dão melodias simples e bela
Que entra na alma emocionada
Alguma tristeza também vai nela
Com sua solidão condicionada
A fadista puxa, puxa pela voz
Deixando cair em seu regaço
Poemas livres de dor atroz
Cabendo inteirinhos nesse pedaço
E na sua garra que atordoa
Chora a saudade que gira nela
De si sai um poema que magoa
Num fado que se escuta na viela
Ele é a alma poética e a raça dum povo
Gravado em preciosos pergaminhos
Deles se inspiram p’ro poema novo
Oferecendo ao fado futuros destinos
De: Fernando Ramos
14.5.2008
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maio 13, 2008
879 - BRILHOZINHO MISTERIOSO
BRILHOZINHO MISTERIOSO
Quando te vi pela primeira vez
Meu coração pousou no teu
Palpitou tanto até que fez
Ele amar perdidamente o meu
Como foi bom e valeu a pena
Essa paixão tão determinada
Poetas inspiraram-se nesta cena
Versejando arte terna e aveludada
Hoje meu corpo no teu se atreve
Entregando todo malicioso sabor
E tu me queres em suspiros breve
Depositando em mim todo esse ardor
E tanto vibramos nesta paixão
Tocada ao som dum tambor
Quanto mais a ela nos entregamos
Mais forte é o nosso louco amor
Desde que te vi por esse tempo
O coração em ti está refastelado
Desde aí não perdemos um momento
Amando-nos num leito apaixonado
No céu um brilhozinho misterioso
Mostra as estrelas a sorrir de nós
Sabem que este é um amor curioso
Que até a Lua nunca nos deixa sós
E no adormecer da noite estrelada
Entrelaçados por ali nos deixamos
Saboreamos a paixão talhada
Do momento que nele bem dançamos
E nossos lábios aos prazeres se entregam
Soltando murmúrios e puros beijos
Que p'los ondulados corpos navegam
Aportando no cais de nossos desejos
De: Fernando Ramos
14.5.2008
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maio 12, 2008
878 - GENTES RENDIDAS AO BELO E AO AMOR
GENTES RENDIDAS AO BELO E AO AMOR
A corda da guitarra chora
Lágrimas tiradas na dor
Atreve-se o coração na hora
E oferece-lhe palpitar de amor
E o poeta p’ra guitarras compõe
Poemas de seu belo prazer
Elas trinam melodias que expõem
Fadistas suas poesias dizer
E no canto da garganta afinada
Corre fado soberbo e encantador
É de letras de vida realizada
Em pingos de puro candor
E o guitarrista muito se atreve
A dedilhar na gostosa emoção
Vai-lhe o grito no caminho breve
Na garupa dum cavalo alazão
O poeta que seu poema escreve
P’ra fadistas exaltarem a vida
Com guitarras que a arte serve
Numa paixão soberba e desmedida
E no acto artístico de total esplendor
Nasce nova primavera de dons
P'ra gentes rendidas ao belo e ao amor
P’lo fado, o escrever e novos sons
De: Fernando Ramos
8.5.2008
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maio 07, 2008
877 - MOMENTOS SERENOS
MOMENTOS SERENOS
Meu amor, meu amor como esquecer
Aqueles nossos dias cinzentos
Se foram eles que nos fizeram merecer
O sol de felizes e ternos momentos
Como esquecer algumas derrotas
Que a vida também nos presenteou
Hoje são vitórias que nos dão risotas
Porque no amor a gente sempre acreditou
Como esquecer tantos, e tantos erros
Comentados entre lagrimas e abraços
Deram-nos lições e alguns segredos
Aproveitados em íntimos pedaços
Como esquecer a triste solidão
Que por ocasiões a vida nos brindou
Percebemos aí a mensagem do coração
Que nos palpitava a bela união que criou
Como esquecer fugazes chamas de tristeza
Que estiveram presentes no dia, a dia
Tudo isso guardamos num baú como riqueza
E não fracassos de música de má melodia
Como esquecer meu amor, meu amor
Tais momentos grandes e pequenos
São as histórias vividas no ardor
Dos tempos rebeldes e serenos
De: Fernando Ramos
1.5.2008
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876 - CHEGAR DEPRESSA
CHEGAR DEPRESSA
Na noite negra que bem chovia
No dormir daquela hora
Para mim, minha paixão dizia:
“Acorda amor, tens de ir embora!
Deixa lá o teu soninho
Tens de te levantar agora!
Então... Levantei-me devagarinho
Deixei a alcova nosso ninho
E meu amor beijei rapidinho
Mas ao abrir a minha porta
Um friozinho bateu meu rosto
Pensei “está uma aragem que corta”
Mesmo assim me fiz a caminho
Para o trabalho esperado
Mas no leito estava tão quentinho
Agora vou num passo apressado
Metido em férteis pensamentos
Levando meu coração agitado
E nas trevas da cansada noite
Com muito frio em meu peito
Me esperava um patrão sem açoite
Para mais um dia de canseira
Num trabalho de magro salário
Tido numa profissão rotineira
Tão depressa me fui embora
Para minha casa a correr
Meu amor me aguarda agora
E eu aqui tanto a sofrer
Com ânsia de bem chegar
E de frio quase a morrer
O temporal continuava
Todo tempo sem cessar
Meu corpo vai bem molhar
Ate ao doce lar onde cheguei
Meu amor feliz me recebeu
E com ela de novo me deitei
De: Fernando Ramos
30.4.2008
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abril 24, 2008
875-ABRIL DE CRAVOS
ABRIL DE CRAVOS
Poetas apareceram p’la tarde
Músicos e tantos cantantes
Chegou a chama da felicidade
Num Abril de cravos flamejantes
As gentes riam chorando
P’ra felicidade de tantos
Nas Igrejas se foi orando
Sorriram fieis e os Santos
E por aquele Abril novo
Muitos, muitos lutaram
Nas prisões apareceu o povo
Libertando os que sonharam
Vários Sois por Abril já passaram
E algum povo ainda acredita
Mas corações já se desgastaram
Neles a esperança já não habita
Que fizeram ao nosso acreditar
Gentes de pouca vergonha
O cravo não consegue medrar
E o povo de agora já não sonha
A revolução dos homens se vai
Na crista da onda da esperança
O belo sonho cambaleando, cai
No puder que pouco, a pouco avança
Desaparece o sorriso na gente boa
A liberdade está emudecendo
De mansinho outros hoje vão na proa
E o Abril de cravos vai entristecendo
Era o Abril na história duma vida
Que tarde o bem fez chegar
A bandeira desfraldada vai sumida
Na Pátria que o povo quer amar
De. Fernando Ramos
24.4.2008
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abril 23, 2008
874 - PELA NOITE DENTRO
PELA NOITE DENTRO
Pela noite dentro
Eu te vejo a ler um livro
Sendo o silencio quebrado
Apenas quando passas as folhas
Que lês com toda atenção
Esse silencio amplo e mudo
Por alguns momentos quebrado
Desperta-me pensamentos
Que ocorrem nos tempos
No tempo que meu coração
Generosamente e gostosamente
Ainda palpita pelo amor
Que te tem
Esse amor continua
E meu coração palpita, palpita
Com a mesma intensidade
De amantes
Que pelas noites dentro
E bem dentro do seu silencio
Faz que nossos corpos
Procurem o caminho
da nossa felicidade
Porque teu corpo tem
O que o meu te pede
E porque o meu tem
O que o teu deseja
E nem, paginas dum livro
Lido no absoluto silencio
Consegue transmitir
A beleza desta gostosa paixão
De: Fernando Ramos
23.4.2008
soja
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abril 22, 2008
873 - NOITES DE AFAGOS
NOITES DE AFAGOS
Um feliz e denso mistério
Rodeado de espesso sossego
Leva-me ao jardim
Dos meus passeios costumeiros
Lá vou recordando anos
De tanto passado
E dos olhares gulosos
Da própria juventude
Em meus subterrâneos pensamentos
Vejo cada ano, cada década
Que pelo meu, hoje fraco corpo
Paulatinamente passaram
Já os escrevi e rescrevi como contos
Vividos não há assim tanto tempo
Dentro da liberdade possível
Mas de amor cegamente interiorizado
E vem-me à memória
A rapariga que conheci
Hoje a mulher que me acompanha
Neste cansaço da vida
E lembro as calmas noites de afagos
Noites de intensa paixão
As noites das chamas que nos levavam
Ás labaredas da loucura
Como hoje refastelado na idade
Lembro todos esses tempos
Que me vão acompanhar até à partida
Para o meu infinito
E não choro por esses momentos
por andarem perto do final
Mas dou um sorriso feliz
Um sorriso bem maroto
Por eles terem existido
Como bom tem sido
Todo este caminho toda esta vida
Como bom é ainda hoje
Em meu pensamento correr
Esses momento ternos de felicidade
Como bom é ainda puder lembrar
A soberania de seu olhar
E a doçura cheia de graça
De seu sorriso que continua
A ser meu desejo e ternura
E um farol no meu horizonte
De. Fernando Ramos
17.4.2008
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abril 14, 2008
872 - AURA PERFUMADA
AURA PERFUMADA
(soneto)
Solta-se a dor na emoção
Na pobre garganta ferida
Um fado à aura dá razão
E boa cor na alma sentida
Desse destino não vai ilusão
Mas boa esperança vindoura
São laços que apertam o coração
Dando o nó na aura duradoura
Ò povo que fado tanto escutais
Sorri para tua aura perfumada
Ela é a cor de teus ais
E a imaginação bem sonhada
Numa vida cheia de bem saber
Onde a aura num fado rodeia teu viver
De: Fernando Ramos
14.4.2008
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871 - QUE IMPORTA É SABER
QUE IMPORTA É SABER
O que importa é ser artista
Seja da pedra, ou do que for
Das letras, do canto, do Desporto
Da arte seja ela fado ou lirica
Da musica, do teatro ou do cinema
O que importa é esse conforto
Artista, é ser mais, é ser alguém
Neste mundo de pressão, e egoísmo
E de espiritualidade, também
Sem códigos nem racismo
Que importa ser escultor
Cinzelar modelos na pedra fria
Ser poeta, escrever de alma
Os momentos do passado
Do presente e do futuro
E escrever, e rescrever
O amor, sempre o amor
O que importa, é saber e aprender
Passar o conhecimento
Através da historia
O que importa é ser artista
E dar-se ao acontecimento
Ser operário da arte
Dar o seu melhor com elegância
E com os outros reparte
Ser artista, é ser homem ou mulher
De todas as cores, e feitios
De todo o mundo, e crenças
Viver sem preconceitos
E saber dar o talento
O que importa, é gravarem
O seu saber, num passado
Com futuro
de: Fernando Ramos
9.4.2008
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março 30, 2008
870 - LÁGRIMAS DA NATUREZA
LÁGRIMAS DA NATUREZA
A natureza grita, grita zangada
Em prantos chora por tristeza
A vida humana para si sagrada
Consome a maravilhosa beleza
Suas nascentes estão secando
A floresta some-se ardendo sem parar
Num mar de socorro se vai agitando
Porque o homem com ela quer acabar
A Terra gira sob o sol escaldante
Criando brasas, consumindo água
Tornando a vida num inferno de Dante
Sobrevivendo apenas a dor e mágoa
Ó brutal inconsciência desmedida
Tanto mal tu estás a fazer
Deixas a nossa terra destruída
Na tua ganância de enriquecer
Retiras deste paraíso de mais
E suas entranhas sacodes
Vulcões gemem em tantos ais
Com tua ambição os explodes
O Ambiente está sofrendo
Por tanta maldade cruel
O Deserto seu caminho vai fazendo
Perdendo a vida humana seu mel
A Natureza clama, grita e soluça
Tu não a ouves, nem dás teu olhar
Estás a torna-la fraca e tão confusa
E talvez a perderes seu amar
Neste clima feio e descontrolado
Onde todos estamos a viver
O planeta vai girando revoltado
E a vida humana a se perder
As lágrimas da natureza são insensatez
De tão horrenda tristeza humana
Que vai mergulhando em sua estupidez
No meio da ambição que não engana
Secam lagos, cascatas e rios
E até mares outrora conquistados
Surgem furacões destruidores e frios
É a mãe natureza morrendo aos pedaços
Desaparecem Aves, peixes e a flora
Entre calores e frios nunca imaginados
A criança assiste e por tudo isto chora
Ao colo da mãe de olhos envergonhados
Ela clama para a não vêr mais sofrer
Exigindo que pare tanta ignorância
Surgirá o dia onde tudo se irá perder
Não restando mais a fé, e a esperança
De: Fernando Ramos
30.3.2008
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março 29, 2008
869 - MEU SORRISO
MEU SORRISO
Tenho de amar mais
Viver mais, e mais saber
Olhar todas as auroras brutais
Ver a felicidade do sol nascer
Sou eu, sou eu, sou eu
Que sonho com o mundo em paz
Ambiciono a paixão do Romeu
E amar no seu romantismo, ser capaz
Na vida devo brincar mais
Com sua melodia que me rodeia
Oferecer muito aos outros iguais
E à natureza que me incendeia
Sei que o destino me vai proteger
Fazendo que me importe menos
De algumas pedras que vão aparecer
Em problemas simples e pequenos
Sou eu, sou eu, sou eu
Que sonho com o mundo em paz
Ambiciono a paixão do Romeu
E amar no seu romantismo, ser capaz
Quero a liberdade de fazer
Da vida um lindo paraíso
Apenas a solidão preciso vencer
Distribuindo por aí meu sorriso
De: Fernando Ramos
30.3.2008
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março 27, 2008
868 - AMIGOS PUROS
AMIGOS PUROS
Tive amigos que já foram puros
Não se vendiam por qualquer dinheiro
Hoje não são amigos, nem seguros
Escolheram a ilusão por companheiro
Andam por aí com ousadia
Num meio que se diz de bem
Corrompem-se por covardia
Ao vil metal, sua mãe
São cães de fila de rebanhos
De outros tais de muito tostão
Cometem crimes de tamanhos
Porque cega é, sua ambição
Já há tão poucos amigos puros
Que nos valem na caminhada
Perdem-se no meio dos impuros
Vivem na mentira descarada
Era tão rico com amigos puros
Hoje por eles estou envergonhado
Seus futuros são tão inseguros
São soldados de caracter confiscado
Moram na feira de vaidades
Sua honra vive empobrecida
Não habitam no seio das verdades
São a esperteza bem esclarecida
Sorriem no meio da tristeza
Como os olho com desdém
Vivem sós com sua baixeza
E eu na honestidade fico bem
Mas o que lhes aconteceu
Pergunto na minha ignorância
Foi o diabo que lhes prometeu
Amigos fáceis de abastança
Amizade é um rico dom
Ganha na subtil pureza
Ter amigos é de bom tom
Mas verdadeiros são fortaleza
De: Fernando Ramos
17.3.2008
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março 16, 2008
867 - O MUNDO É DA LUA
O MUNDO É DA LUA
Os olhos do mundo à Lua estão presos
Onde bem alto habita, e nos vigia
Até um casal de passarinhos travessos
Na noite quente com seu luar se guia
Entre estrelas a Lua se sente abrigada
Das noites escuras como breu
E aos raios do dia se mostra grata
Ao sol que a protege, como filho seu
Tantos olhos fitam a generosa Lua
Que vai girando pelo firmamento
Uma guitarra chora, chora tristeza sua
Num poema à noite sem atrevimento
O olhar do mundo à lua não resiste
Da vigilância buliçosa e constante
Sua curiosidade até a deixa triste
Por ver na terra a felicidade distante
Lua cristalina seu luar jamais cansa
Às vidas de povos que padecem de fome
Ela é eterna, e a fonte de esperança
Na bela Terra que à milénios se consome
De: Fernando Ramos
9.3.2008
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março 08, 2008
866 - RUA DO VICIO
RUA DO VICIO
Estranho é este puro amor
Que não me deixa virar a esquina
Sem olhar tua sombra
Lá na teia dos enganos
Que te amassa e pisa
Tu a sobes e desces como
Fazendo parte desse lugar
Levando-te ao bordel da vida
Que nas madrugadas
Por suas portas entras
Acompanhada pelo estranho
Que te aborda
Na rua do pecado
E eu vejo esse quadro
E sofro, sofro perdidamente
Dum ciúme sem explicação
Frequentas as rua do bairro
E elas percorres na ânsia
De ganhares para saciares
O maldito vicio
Que vai consumindo tua dignidade
E eu aqui com pena de mim
Por teu sofrimento
Sim pena de mim...
Tu já não sabes o que é amar
E eu loucamente de coração partido
Vejo tua miséria desvairada p'la droga
Nossa miséria...
Teu vicio é uma cilada de mentiras
E meu deserto na paixão arrebatada
Que sofre nas labaredas de teu destino
Este é o teu fado, o meu também
Tudo em ti é meu sofrimento
Mas porquê meu Deus este sofrimento
Que vive no grito do medo
Caminhando por ruelas do bairro
Seguindo o teu futuro, a tua solidão
Perdoa-me amor, mas já não consigo
Ver-te perder no sofrimento
Já não suporto as tuas pegadas
P’la rua do vicio
De: Fernando Ramos
8.3.2008
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março 04, 2008
865 - MINHA BELA DAMA
MINHA BELA DAMA
(soneto)
Airosa e tão formosa é minha Dama
Que desfruto no nosso leito de amor
Dessa ternura meu coração emana
Chamas límpidas e puras de esplendor
Bela Dama é toda a minha vida
É um fruto tão rico de sabor
Se a perco, esta paixão é destruída
Bem como a semente de seu calor
Seu corpo em meu olhar é poema
Para minha mente repleta de desejos
Que se aconchega em sua pele morena
Quando acaricio seus belos seios
Que a poesia tão bem descreve
P’ra dama que é meu verso breve
De: Fernando Ramos
02.3.2007
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março 02, 2008
864 - BEBER À FONTE DA SAUDADE
BEBER À FONTE DA SAUDADE
Na rua velhinha de Alfama
Na tasca que já vendeu o pecado
Manuel, o dono pede em voz branda
Silencio porque se vai cantar o fado
A fadista castiça de voz doce
Que vai beber à fonte da saudade
Canta um fado que o coração trouxe
De lugares que são eternidade
Aquela tasca tantos deslumbra
Porque o ambiente assim o quer
Não perturbando de maneira alguma
A voz quente da graciosa mulher
A fadista seu corpo ajeita
Puxando o xaile para si
Canta um fado de desfeita
De um amor encontrado ali
Há algo mágico que atrai
Tanto povo à tasca antiga
Manuel diz: ninguém sai
Sem ouvirem o fado maravilha
E naquele aconchego de bem viver
Pede-se vinho, sopa e azeitonas
P´ra mesa de madeira, e pequena
Com toalha das cores do amazonas
E as guitarras vão trinando
P´ra felicidade dos amigos presentes
O dono da casa vai entregando
Iscas pedidas p’los clientes
Que bem se está por ali
O fado vadio faz o sentimento
Todos o cantam chamando a si
A emoção feliz do momento
Ali ri-se, bebe-se e come-se
Num ambiente bem consensual
A tristeza que vagueia some-se
Na voz da fadista tradicional
De: Fernando Ramos
11.2.2008
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janeiro 26, 2008
863 - MORREU UM HOMEM VELHO
MORREU UM HOMEM VELHO
Hoje morreu um homem velho
Um homem como tu, como eu
Só que ele morreu
Morreu só
Todos se afastaram
Só porque era velho
Vê o que nos vai acontecer
Meu amigo
Vai-nos acontecer o mais triste
Da nossa existência, a SOLIDÃO
O mundo não está preparado
Para acabar com este triste final
Hoje morreu um homem velho
E o mundo pouco se importa
O mundo corre, corre loucamente
Para que cada vez se morra mais só
Mas correr para quê?
Para a morte, que é mais que certa
Calma amigo
Hoje morreu um homem velho
Mas amanhã...
Nesta correria desenfreada
Irás ouvir dizer nessa altura
Que hoje não morreu um homem velho
Por ser só velho
Irás ouvir dizer que hoje morreu
Um homem novo
Só, triste, injustiçado e abandonado
Porque neste mundo também corria
Não se sabendo bem para quê!
De: Fernando Ramos
26.1.2008
Publicado por ramos às 10:32 AM | Comentários (0)
